segunda-feira, 23 de julho de 2012

Lúcio Costa e as viagens a Portugal, uma exposição para emocionar - 21-07-2012

Foi uma alegria ontem visitar a exposição aqui no Rio de Janeiro, dos desenhos dos caderninhos de Lúcio Costa de suas viagens à Portugal. Lindos os desenhos, sem censura feitos para ele mesmo como reflexão sobre a arquitetura brasileira e portuguesa e sobre a originalidade das duas com suas semelhanças e diferenças. Fotografei toda a exposição cada desenho como se sorvesse um prato especial de rara beleza e sabor. Aprendi muito, quero mostrar aos meus alunos, quero mostrar aos meus amigos. Reforçou minha convicção da importância do desenho à mão, do desenho e do olhar cuidadoso, acurado, como instrumento da arquitetura. Uma honra poder conhecer estes desenhos.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Cenas de um Casamento, Bergman, revisto depois de 30 anos

Vi em duas sessões Cenas de um Casamento do Bergman na versão feita para a TV. Feito em 1973, auge da ditadura no Brasil. Acho que vi no final dos anos 70 ou início dos 80, não me lembro. Era a discussão das relações afetivas no auge do interesse dos jovens casais como eu.

Estava com receio de ver e me decepcionar, ou ainda que me levasse para lembranças dolorosas, ou ainda de achar velho demais para o momento.

Nada disso. Foi muito bom ver de novo. E ver como este cineasta era avançado para a época e os dias de hoje. As questões colocadas neste filme me mostraram que algumas delas são de caráter universal e não necessariamente ligadas a uma sociedade ou cultura. Suécia, padrões econômicos e culturais elevados e mesmo assim, ali estavam os nossos problemas, de homens e mulheres e sua vida como casal e envolvimento familiar.

O casamento, um estado específico de relacionamento a dois instável cheio de defeitos e acomodações. O filme traz cenas impagáveis, como a mulher que se consulta e conta que fez um pacto com o marido para separarem-se só quando os filhos crescessem mesmo sabendo que  não havia amor no casamento. Liv Ullman expressa em cada olhar uma interiorização de  seus sentimentos. E ela como personagem que aposta em seu casamento "com gosto de maçã mordida como diz Cazuza". Genial. E a solução encontrada no final, do relacionamento possível é muito bonito, a cumplicidade, amizade e intimidade que não se perde mesmo com eles vivendo outros casamentos. Vale a pena assistir esta versão.

Este filme me deixou feliz de ver de maneira mais aberta, como se um mundo se abrisse sem o pré conceito de um caminho linear.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Na estrada

Fui ver o filme do Walter Salles, porque o acho sério e profundo nos seus filmes, além de sua estética sutil e apurada, fiquei decepcionada, só as duas atrizes americanas (Kristen Stewart e Kirsten Dunst)) dão um show de interpretação e as paisagens americanas com tomadas dignas de Walter Salles. O resto tudo me pareceu longo e monótono. A atriz Alice Braga parece atriz de um único filme, Cidade de Deus, talvez quando mais jovem fosse mais natural, o resto não me convence.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Sobre os ambulantes e as ruas de São Paulo, um desafio para o próximo Prefeito. 12-07-2012


          Há muito que se discute sobre o conflito da presença dos ambulantes nas ruas e praças de São Paulo e a liberação do espaço público para o pedestre.
Acho que andar pelas ruas e praças com liberdade e o espaço livre é uma atividade muito agradável, mas, também gostamos de ver o comércio. Isto é uma atividade típica do mundo urbano desde os tempos da idade média.
Em São Paulo, desde o período colonial que a Rua Direita era chamada a Rua das Casinhas, pois era a rua das barracas do comércio cotidiano.
Hoje o comércio ambulante tomou proporções que exige do poder público medidas  reguladoras e de controle dos abusos na ocupação de ruas e praças.
Mas, é preciso analisar o aspecto econômico da atividade do comércio ambulante que emprega milhares de trabalhadores que não encontraram oportunidades no mercado formal de trabalho em anos de crise econômica e devido a não preencherem mais as exigências do mundo moderno que exige cada vez mais qualificação do trabalhador.
Assim considero impossível que esta atividade seja extinta por completo na cidade.
Então não há como resolver este conflito senão regulamentar e construir alternativas para aqueles que trabalham com comércio ambulante.
Durante a gestão da prefeita Marta Suplicy tive a oportunidade de coordenar um projeto para organização do comércio ambulante do centro de São Miguel Paulista, o desafio era retirá-lo das ruas do calçadão sem prejudicá-los e requalificar as ruas que dão acesso à estação de trem de São Miguel.
Uma equipe de seis arquitetos de EDIF, o Departamento de Edificações da Prefeitura de São Paulo, estudou todo o centro de São Miguel e chegamos à conclusão que a melhor alternativa era adotar o exemplo de Curitiba, o qual conhecemos pessoalmente, e que aproveitou um antigo edifício no centro para criar um mercado popular com espaços de atividades “âncora” a exemplo do que ocorre nos shoppings centers para atrair clientela.
Em Curitiba ainda observamos alternativa de alocação dos ambulantes em vagas de estacionamento do meio fio voltados para a calçada, mas, sem ocupar seu espaço, como se fosse vaga na zona azul, para aqueles excedentes que não seriam incluídos no projeto do edifício, de forma que os pedestres podem circular livremente e usufruir do comércio também. Essas vagas são espalhadas entre as vagas de automóveis, mas protegidas com obstáculos para que o comerciante ambulante não seja atingido por automóveis ou outros veículos.
No entanto, o projeto central no caso de São Miguel foi desenvolvido na área do antigo mercado que abriga poucos permissionários que sobrevivem a duras penas diante das grandes redes de supermercados. Então desenvolvemos o projeto da Praça de Serviços e Mercado Popular de São Miguel Paulista, com uma praça de alimentação, espaço para os antigos permissionários, teatro, espaço para bancos e lojas de “fast food” âncoras e alocamos espaço com dignidade para mais de seiscentos ambulantes.


Maquete da implantação do projeto no centro de São Miguel, foto da autora.





Foto da maquete da vista do teatro e do mercado com a praça de alimentação. Foto da autora

             O projeto foi até a fase final de projeto executivo, mas, não houve tempo para execução das obras. Seria um belo exemplo de como tratar a questão, e não seria difícil encontrar outros espaços ociosos pela cidade nos centros de bairros para requalificar a atividade do comércio ambulante.
No caso emblemático da Rua 25 de Março, seria interessante transformá-la numa “rambla” sem automóveis e limitar o número de barracas com espaço suficiente para os pedestres. Evidentemente toda esta reorganização do comércio ambulante seria feita mediante sua legalização e contribuição para os impostos da cidade. No caso de Curitiba esses permissionários tem lista de presença que controla sua frequência na atividade e caso haja muita ausência se perde a licença para outro permissionário.
Rosana Helena Miranda
Arquiteta e Urbanista
Profa. Dra. da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, 

domingo, 8 de julho de 2012

Estudo para Escola Frei Francisco de Mont´Alverne



Estudo para Escola Frei Francisco de Mont´Alverne, Ermelino Matarazzo, Zona Leste, São Paulo


Programa: ampliação da escola sem derrubar as árvores, reforma, acessibilidade e engate no prédio antigo.

Questões de arquitetura de São Paulo, uma questão de método. Texto escrito em 05-06-2008,


Questões de arquitetura de São Paulo
05-06-2008

Ontem, estudando  o texto da Prof.a Beatriz Santos Oliveira da UFRJ me ocorreu que as cidades do interior de Alagoas, de Sergipe, de Pernambuco, como Olinda, possuem conjuntos arquitetônicos, provavelmente do período colonial, talvez de um período mais recente que são encantadoras.

A cidade de São José das Lajes que fica no interior de Alagoas no caminho entre Maceió e Caruaru, tem uma beleza que dá vontade de descer do ônibus e ficar contemplando como a cidade se aproximou do rio e o incorporou em sua paisagem construída.

Outra cidadezinha que nos remete para um outro tempo é a cidade de Laranjeiras em Sergipe, logo depois de atravessarmos o Rio São Francisco vindo de Penedo em Alagoas.

O que vi nestas cidades foram conjuntos de taipa com a fachada muito limpa, criada com os requadros das janelas e portas coloridos. Algumas com platibandas, outras com eira e outras sem beira, como nos explicou o guia do museu da Casa de Marechal Deodoro na cidade de mesmo nome, vizinha a Maceió e onde fica a Praia do Francês, belíssima, gostosa, só que agora invadida pelos bares. Enfim o que me instigou ontem sobre São Paulo foi a seguinte pergunta:

Por que as casas da periferia de São Paulo não são tão bonitas como estas casas do Nordeste? Eu mesma já cheguei a afirmar que as casas apresentavam um aspecto de pós guerra, inacabadas, de cor cinza por causa dos blocos, porque seus construtores não tinham "repertório" estético. Como pode ser isso, se os mais velhos dessas famílias viveram em sua infância em cidadezinhas tão belas?

Esta é a pergunta que me suscitou, e me sugeriu um projeto de pesquisa da FAU-USP junto com a Prefeitura de São Paulo de levantar a cidade de origem das famílias moradores de favelas ou de bairros auto-construídos e realizar um registro nas cidades de origem dessas comunidades, no Nordeste ou outra região e através de desenhos e fotos e discutir com elas as possibilidades de projeto da mescla da cultura nordestina com a cultura da tecnologia dos paulistas disponível e a partir da identificação de um programa de consenso encontrar uma linguagem particular de cada contexto para a reurbanização de favelas e construção de conjuntos habitacionais.