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terça-feira, 22 de março de 2016

Professores de arquitetura da USP em defesa da democracia

Manifesto de Professores da Faculdade de Arquitetura da USP

MANIFESTO EM FAVOR DA LEGALIDADE E DA DEMOCRACIA

Na qualidade de docentes e profissionais de Arquitetura e Urbanismo comprometidos com cidades e sociedades mais justas, não podemos tolerar que nossas instituições democráticas, construídas sob décadas de lutas sociais, a começar pela Constituição de 1988, sejam desmanchadas num crescente processo de embrutecimento do país.

Nesses termos subscrevemos com nossos colegas da EACH a manifestação que afirma nossa posição em defesa do Estado Democrático de Direito:

Ao mesmo tempo em que nos solidarizamos com a população indignada com as denúncias de corrupção que se sucedem há anos em nosso país, surgidas a cada nova investigação conduzida pelos poderes Judiciário e Legislativo - e que envolvem praticamente todos os principais partidos políticos - ressaltamos a importância de que o trabalho de investigação observe o devido processo legal, respeite garantias individuais e preserve as instituições e valores democráticos, tão duramente conquistados pela sociedade brasileira.

Repudiamos o enviesamento da cobertura midiática, pautada pela espetacularização dos fatos e pela tentativa de imputar culpabilidade antes das apurações e do amplo direito de defesa. Condenamos, portanto, a prática de vazamentos seletivos à imprensa  de informações relativas às investigações, os quais ao fim e ao cabo resultam no progressivo esfacelamento da imagem de nossas instituições perante a opinião pública.

Preocupa-nos o clima de convulsão social, agravado a cada minuto. A legalidade e a democracia devem ser preservadas a todo custo, e não é admissível que a mídia, organizações da sociedade civil ou os diferentes movimentos que ocupam as ruas tomem para si o exercício da aplicação da justiça.

Chamamos a atenção para o imperativo da manutenção das garantias constitucionais, para a necessidade de construção do diálogo e para a importância de que todos os agentes públicos trabalhem pela efetivação dos preceitos previstos na Carta Magna promulgada em 1988.

Alvaro Puntoni
Ana Barone
Ana Castro
Ana Lanna
Angelo Filardo
Antonio Carlos Barossi
Beatriz Rufino
Caio Santo Amore
Camila D'Ottaviano
Catharina Pinheiro
Eduardo Nobre
Erminia Maricato
Eugênio Queiroga
Fábio Mariz Gonçalves
Flávia Brito
Flávio Villaça
Gil Barros
Giselle Beiguelman
Guilherme Wisnik
Joana Melo
João Meyer
João Whitaker
Jorge Bassani
José Lira
Karina Leitão
Khaled Ghoubar
Klara Kaiser
Leandro Medrano
Luciana Royer
Luiz Recaman
Marcos Braga
Maria Cecília França Lourenço
Maria Cristina da Silva Leme
Maria de Lourdes Zuquim
Maria Lucia Refinetti Martins
Mário Henrique D’Agostino
Nilce Aravecchia Botas
Nilton Ricoy
Nuno Fonseca
Paula Santoro
Paulo Cesar Xavier Pereira
Raquel Rolnik
Reginaldo Ronconi
Rosana Miranda
Tatiana Sakurai
Vera Pallamin
Vladimir Bartalini

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Solidariedade e desenvolvimento

Impossível haver desenvolvimento sem solidariedade. Não é aceitável que alguém se ache melhor que outro porque estudou ou teve uma vida mais generosa devido a seus antecedentes.
Hoje conversei com uma pessoa que me ajuda, sobre o sentido que teve na nossa formação a privação na infância de alguns consumos e o rigor de princípios na divisão da comida entre irmãos realizada pela mãe. No uso de roupas usadas por irmãos mais novos pois os recursos não permitia a individualidade no consumo.
Concluímos que essa matriz nos deu garra para a vida, mas nos ensinou que se conquista aquilo pelo qual se luta, pelo caminho do esforço, do trabalho, e principalmente, que é possível viver com o essencial da vida. Nos ensinou a ver além da família, do núcleo da casa, e enxergar o mundo maior.
Nos ensinou a sermos solidários entre irmãos e com os vizinhos, os outros brasileiros.


Gostei de refletir sobre isso.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Domingo é dia de votar - eleições 2014 - eu tenho uma sugestão

ELEIÇOES 2014
Faltam só 3 dias para as eleições e a sociedade reclama muito do poder executivo, mas, esquece que o Congresso Nacional e as Assembleias Legislativas é que votam, aprovam e vetam as leis de interesse do povo. São os deputados federais, os senadores e os deputados estaduais que decidem a maior parte dos assuntos que nos afetam cotidianamente, além dos vereadores também em cada cidade.a
Parece óbvio, mas, quantas pessoas já escolheram seus candidatos de forma consci...ente e criteriosa?
 
Eu tenho uma sugestão.
 
Meus candidatos: para Deputado Federal Orlando Silva, 6565, jovem e experiente na administração pública e com coragem para lutar pelos interesses nacionais e dos trabalhadores, e para Deputada Estadual, Ana Martins 65611, uma mulher de luta que conheço há mais 20 anos que não esmorece nunca.

São Paulo precisa mudar, não pode mais continuar sem água, sem segurança e sem educação esse não é o espirito dessa terra de gente desbravadora.

Vou com Dilma, Padilha, Nivaldo Santana e Suplicy para que o Brasil aprofunde as mudanças necessárias para eliminar a concentração de renda que só atravanca nosso desenvolvimento.

Esse é o meu lado.

sexta-feira, 14 de março de 2014

As mulheres jovens da cidade

Lutam todos os dias pelas ruas da cidade.
Correm com as tarefas domésticas.
Correm para trabalhar.
Lutam para educar os filhos.
Lutam para proteger a família transformada nos dias de hoje.
São as mães e os filhos superando desafios.
São as mães mulheres lutando pelo seu sustento.


São as mulheres que superam as tristezas e decidem pela alegria de viver.
Minha mãe dizia que criamos os filhos para o mundo.
Mas só consegue esse desprendimento quem vê seu filho seguro, independente e com autonomia,
a autonomia de decidir.
Isso se constrói com a liberdade de expressão, com a exposição dos conflitos e diálogo entre gerações, sem preconceitos, acompanhando as mudanças do mundo e com o companheirismo dos homens.


As mulheres tem força para o trabalho, para os filhos e para a luta.


Falta a liberdade  no espaço onde vivem.
Liberdade para circular.
Respeito e paz nos ônibus, nos trens, nos bares, nas festas ou nos espaços públicos.
Saúde durante sua juventude.
Escolha quanto à sua maternidade.


Igualdade significa decidir livremente e ser respeitada em suas decisões.
O dia das mulheres é internacional, as questões femininas estão nos países pobres e ricos, um dia de luta pois há muito por mudar e fazer.






















quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Patrimônio e meio ambiente – o custo de intervenções conscientes


               Dois temas da atualidade no Brasil e no mundo tem sido objeto dos embates entre desenvolvimento e preservação do patrimônio histórico e do meio ambiente.
               Os conflitos surgem do alto grau de urbanização que chegaram as sociedades contemporâneas. Decorrente desse processo encontra-se a necessidade de infraestrutura e crescimento econômico para atender as demandas por serviços e o anseio das comunidades por recuperar sua identidade com os seus “lugares” de viver.
                No caso do meio ambiente fala-se em um aumento de 30% no custo das obras de proteção contra os impactos ambientais provocados por elas.
                Evidentemente, esta cifra não pode ser generalizada, pois, orçamentos de obras são elementos específicos condicionados ao detalhamento das condições locais, preço de mão de obra, acesso a materiais, e particularmente dos projetos.
                Deve-se ainda descontar o ônus gerado pela prática dos governos de licitar obras sem os respectivos projetos executivos que visam prever todos os detalhes necessários e os custos cujo próprio nome já diz, de executar as obras.
                 Se eliminarmos os fatores que geram um adicional aos custos das obras, mesmo assim as exigências ambientais vão aumentar seus custos. Para que este impacto não gere a ideia distorcida que a preservação ambiental atrapalha o desenvolvimento é necessário que os governantes e os empresários valorizem a prática de planejamento e de elaboração de projetos com a antecedência exigida para adequar os projetos ao meio ambiente de cada localidade, dentro de um conceito abrangente que inclua as populações envolvidas.
                 O problema da preservação do patrimônio histórico exige também uma abordagem abrangente que envolva o patrimônio construído e o imaterial que inclui a memória das comunidades quanto a vivencia, quanto à paisagem e aos usos que ela deseja verem preservados.
                As cidades de um modo geral guardam relíquias construídas que significam muito para seus moradores, pois os remetem a tempos áureos da formação e vitalidade do seu momento de fundação ou de grande pujança econômica.
                Nas metrópoles, há um sentimento semelhante, pois a velocidade de mutação da paisagem faz com que o crescimento do sentimento de perdas afetivas se expresse às vezes de maneira subjetiva, às vezes com a defesa de bens construídos sem muita certeza do que podem significar. Nesse caso, às vezes preservar a paisagem significa um anseio por um retorno a uma vida gregária que a excessiva verticalização urbana afasta cada vez mais das comunidades.
                Novamente aqui se coloca o problema do planejamento e do projeto. Nem tudo pode, deve ou merece ser preservado numa metrópole que possui gigantescos problemas de infraestrutura, serviços e habitação. Mas, há um grande potencial ocioso, fruto da dinâmica econômica e empobrecimento, sendo necessária a identificação dos espaços com os quais a sociedade se identifica para incluí-los no processo de desenvolvimento, planejamento e crescimento das cidades.
                É o custo de reconquistar a integração do tecido social urbano, humanizar a cidade e acabar com o “apartheid” entre bairros, populações, trabalhadores e governantes. Assim mudaria o conceito do que é uma obra cara.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Conselho Participativo e uma cidade mais humana

Escrevo para agradecer e comunicar que fui eleita como Conselheira para a Subprefeitura da Vila Mariana, junto com outros lutadores por uma cidade mais humanizada, mais justa e mais solidária. Esperamos contribuir com propostas para melhorar o nosso cotidiano e tornar nossa cidade nosso "lugar de aconchego".

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Um dia de fruição da vida

A dor se transformou em felicidade hoje pelo simples fato de compreende-la e diminuir o sentimento de culpa por sentir a dor da vida.
A música me fez companhia para encontrar pessoas em luta em suas  diversas formas. Luta pelo conhecimento, pela liberdade, pela democracia, pela sinceridade no diálogo.
Tomei algumas decisões que soltaram amarras como se cordas tivessem seus nós desatados num fundo do mar e permitissem emergir da sensação de sufocamento. Percebi a possibilidade e o alcance da liberdade. Não a liberdade egoísta mas a liberdade solidária.
Não tive medo de beber dessa fonte, o céu cinza ficou azul molhado pela chuva que ainda cai.

sábado, 26 de outubro de 2013

Pensando a vida, a escola, a cidade e as lutas

Ando pensando o que poderemos fazer para radicalizar na situação da escola no Brasil.
Aqui falo da escola básica da criança bebê até o jovem adulto adolescente no fim do colegial, ou ensino médio como se chama hoje. Na Universidade ando fazendo aquilo que acredito, olho no olho com o aluno, de 1000 alunos que tive contato nesses quase cinco anos de trabalho, muito poucos não compreenderam esse processo, talvez não tivessem o traquejo social que a convivência em grupo exige. A escola exige olho no olho e conteúdo.
Muito se falou do espaço, da sala de aula lotada, dos professores e todos parecem ter uma fórmula mágica. Ontem vi uma chamada na TV de um programa dizendo que crianças aprendem melhor ao ar livre.
Então as escolas que subiram suas janelas para que as crianças não olhassem o exterior talvez estivessem totalmente erradas.
Acredito no professor, na sua capacidade de sedução sem autoritarismos.
Acredito no professor que passa aos alunos o respeito a eles nas pequenas atitudes como se eles pudessem ajudar a decidir como conduzir o aprendizado.
Não tenho formação em pedagogia, mas tenho formação em serviço público, onde se aprende o tempo todo a trabalhar em equipe.
Não há saída se não for assim.
É um ciclo que começa nas mãos de um e termina nas mãos de outro.
Talvez aí esteja o segredo da escola e da cidade, integrar as ações.
Não através de discursos, mas, com compartilhamento de decisões com os professores, os alunos, os gestores e os pais.
Compartilhar hoje virou uma palavra meio vazia devido ao seu uso nas redes sociais como se houvesse uma ação humana de olho no olho.
Nesse caso só serve para levar a informação e não a transforma.
Penso no Celso Furtado que dizia que o maior entrave ao desenvolvimento era a concentração de renda. Acho que seu pensamento ainda é atual.
Pergunto, os pais, os alunos, as ONGs, os gestores, estariam dispostos a acompanhar os professores da rede pública na sua luta pela escola e por salários dignos?
Não acredito na arquitetura escolar sem o diálogo com o professor. A escola sobrevive sem arquitetura, mas não sobrevive sem o professor.
A sombra de uma árvore às vezes pode ser uma bela sala de aula.
Ando pensando.....

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

O Blog, o mundo e a arquitetura

Tantas coisas permearam meu dia.
Desde sonhos de um mundo melhor, de um Brasil mais igual até meus anos de juventude.
Estou acabando o dia pensando nos meus filhos, seu futuro, seus sonhos.
Ouvindo músicas dos anos 60 tento aprender outra língua através da música.
Livros me aguardam no meu quarto para leituras sobre as "perdas necessárias", sobre as andanças de Anton Tchekov em Sacalina na Sibéria, sobre "a elegância do ouriço".
Vou devagar, acabei  de ler um livro de Maria Dueñas, "A melhor estória está por vir". Muitas estórias entrelaçadas e um capítulo final que me emocionou talvez por minha estória de vida.
Acabei algumas tarefas e preciso  respirar.
Sigo enfrentando outras e algumas para voos mais altos.
Sonho o tempo todo, mesmo quando a tristeza se acomoda ao meu lado me provocando.
Ando pensando em minha mãe e nos seus sonhos como mulher, sua família na frente de seus próprios sonhos.
Esse blog atingiu mais de 5000 visitas, sinto que as pessoas buscam delicadezas na vida, eu também.
De qualquer forma aqui deposito meus interesses e os compartilho. Procuro dizer daquilo que me encanta e que alimenta o meu conhecimento do mundo. Nem sempre a arquitetura satisfaz este desejo, ao contrário o conhecimento do mundo alimenta a arquitetura e o urbanismo. Como diz Anton Tchékov " um bom repórter tem que estar perto da realidade" com "um bom par de calçados e um caderno de anotações".

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Trabalho, amigos, amores e crescimento

A vida tem me levado a intensificar minha inserção no trabalho. Pensava em diminuir o ritmo. Ainda não consegui. Mas aos 58 anos tenho muitos planos pela frente. Estou caminhando um pouco a deriva construindo o registro de coisas importantes. Não sei porque me interessa tanto a memória e a documentação do espaço, dos desenhos, dos pensamentos daqueles que respeito e dos meus próprios. Encontrei muitas coisas bonitas nos meus cadernos, escritos e desenhos. Acho que o fazer é mais importante do que o resultado. Estou aprendendo que o caminho é mais importante do que o final, pois este ninguém sabe como se concretizará. Estou encontrando pessoas que vão me ajudar na organização daquilo que desejo preservar. A vida vem colocando-as no meu caminho. Vi o Brasil se manifestar de modo confuso e me emocionei novamente com o coletivo. Acho que os que lutam por um Brasil melhor deveriam abandonar arrogâncias e agregar os que tem os mesmos objetivos mas práticas diferentes.
Todos acabam contribuindo para o motor da história. Perdi coisas e pessoas importantes pra mim mas as perdas trouxeram crescimento e avanços na visão do mundo. Quero conquistar a saúde para a pele que habito, me encaixar no corpo da justa medida dos bailarinos da Pina Bausch. Uma nova vida se inicia com a intimidade perdida. O absurdo de um novo tempo "antes da meia noite".
Diálogos maiores com o conhecimento.

domingo, 2 de junho de 2013

Filme "Moscou não acredita em lágrimas"

Meu filho trouxe um filme para vermos juntos, desistiu e o sono o venceu. Impossível não se sensibilizar com este filme sendo mulher mãe e sonhadora de uma sociedade igualitária e justa. Nem no socialismo soviético se resolveu a submissão da mulher aos sentimentos de solidão e abandono na criação dos filhos sozinhas.
Uma questão maior que se submete à questão econômica. O filme é otimista quando se fala a frase título e propõe a ação para resgatar o amor perdido. Mas mesmo naquele contexto é o homem que soluciona a conquista do amor e da família. A mulher supera-se pelo trabalho e estudo mas não como dona do seu afeto, o vazio da solidão permanece.
Um bom filme para se refletir  mas que mesmo assim fortalece o espirito.


  https://publicacoes.amigosdanatureza.org.br/index.php/rlaac_sustentabilidade/article/download/2996/2850 .