sexta-feira, 20 de setembro de 2013

O Blog, o mundo e a arquitetura

Tantas coisas permearam meu dia.
Desde sonhos de um mundo melhor, de um Brasil mais igual até meus anos de juventude.
Estou acabando o dia pensando nos meus filhos, seu futuro, seus sonhos.
Ouvindo músicas dos anos 60 tento aprender outra língua através da música.
Livros me aguardam no meu quarto para leituras sobre as "perdas necessárias", sobre as andanças de Anton Tchekov em Sacalina na Sibéria, sobre "a elegância do ouriço".
Vou devagar, acabei  de ler um livro de Maria Dueñas, "A melhor estória está por vir". Muitas estórias entrelaçadas e um capítulo final que me emocionou talvez por minha estória de vida.
Acabei algumas tarefas e preciso  respirar.
Sigo enfrentando outras e algumas para voos mais altos.
Sonho o tempo todo, mesmo quando a tristeza se acomoda ao meu lado me provocando.
Ando pensando em minha mãe e nos seus sonhos como mulher, sua família na frente de seus próprios sonhos.
Esse blog atingiu mais de 5000 visitas, sinto que as pessoas buscam delicadezas na vida, eu também.
De qualquer forma aqui deposito meus interesses e os compartilho. Procuro dizer daquilo que me encanta e que alimenta o meu conhecimento do mundo. Nem sempre a arquitetura satisfaz este desejo, ao contrário o conhecimento do mundo alimenta a arquitetura e o urbanismo. Como diz Anton Tchékov " um bom repórter tem que estar perto da realidade" com "um bom par de calçados e um caderno de anotações".

domingo, 8 de setembro de 2013

Drummond disse sobre Reidy algo que deixa a morte com gosto de elegância


Affonso Eduardo Reidy foi o arquiteto que projetou o MAM no Rio de Janeiro na década de 50.
Vi há alguns dias atrás um documentário, "Reidy a construção da utopia", realizado sobre sua vida e obra por Ana Maria Magalhães no canal de TV a cabo chamado Curtas! que aqui divulgo pelo excelente conteúdo que apresenta. Aprendi muitos fatos sobre esta obra e sobre o Aterro do Flamengo com os diversos depoimentos, principalmente o de Carmem Portinho. Mas o mais bonito foi ouvir o que Carlos Drummond de Andrade escreveu sobre a morte prematura do arquiteto com apenas 54 anos.
      Disse Drummond:

A morte de Affonso Eduardo Reidy desperta-me antes de tudo uma sensação de coisa errada, fora de norma e ritmo. Como se ele, cedendo à modéstia, houvesse furado a fila dos mais velhos, que estavam na sua frente, para chegar primeiro. Reidy era a distinção, a finura em pessoa, não podia passar à frente de outros. Tinha um modo tão seu de trabalhar em discrição, como tantos outros trabalham em apoteose. Sua vida merecia ter sido longa e protegida dos males cruéis. E depois, apenas um cinquentão, ele tinha ainda muito que fazer por causa do muito que já fizera. Nós, usuários dessa criação, estamos sempre exigindo mais. Nada pedimos aos omissos e aos estéreis, mas de um sutil manipulador de forma e espaço, como Reidy, quanta coisa se podia esperar ainda!

       Esse filme me atingiu como uma flecha lembrando que o homem deve deixar um legado para sua pátria, para seus filhos, para o futuro. Persigo esse caminho ainda com obstinação, não sei quando vou parar, mas, quero seguir o exemplo dos mestres que fizeram arquitetura com gentileza, sem arrogâncias.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

O cheiro da noite

Que cheiro bom tem uma noite de chuva.
Abro a janela antes de dormir para tomar um pouco de vento.
Hoje senti um cheiro de mato gostoso das palmeiras tão altas que chegam até minha janela.
Não entendi ainda como suas raízes as seguram num espaço tão pequeno.
O vento é algo renovador.
Sinto falta do mato, mesmo tendo nascido nesta cidade tão construída, tão marcada pelas mãos dos homens.
Ainda não tive coragem de caminhar à noite, é uma vontade de sentir o silêncio e o frescor da madrugada.
Acho que um dia ainda vou me mudar para uma casa no meio do mato e perto da praia.
Li num livro de um filósofo francês que os franceses apesar de serem tão urbanos sonham com a vida do campo.
Acho que são as duas faces do homem. Construir com as mãos e voar com a natureza.
Aqui também se pode sentir o cheiro do mato, mas é preciso abrir a janela. A chuva traz o cheiro da terra.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

O céu de São Paulo

Hoje olhei o céu quando voltava da Universidade por volta das cinco e meia da tarde ao som de Luiz Gonzaga e a tarde me pareceu especial. As nuvens no céu vistas da avenida do Jóquei Clube estavam da cor do filme Vanilla Sky. Chegando mais perto do Ibirapuera vi outras cores nas nuvens, um azul que se misturava com a própria cor do céu. Tive vontade de pintar com aquarela o que via. Olhei minha cidade de outra forma e fiquei feliz, a música alegrava ainda mais a cena. É preciso olhar para o céu e ocupar as praças.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Filmes recentes - o cinema me embala

Ferrugem e Osso - bruto e sensível, delicado ao mesmo tempo - filmaço
Wrong - Ótimo - absurdo e divertido
Amor Pleno - não entendi nada
Hanna Arendt - Ótimo - a banalização do mal e a recusa à reflexão leva a barbaridades
O Concurso - divertido
Os Amantes Passageiros - absurdo  e divertido - Almodovar
Antes da Meia Noite - Ótimo
Depois de Maio - Simples e da minha geração
Tese Sobre Homicido - Ótimo mas não e o melhor com Ricardo Darin

Em Casa:
Homenagem a Gandolfini - sessão Familia Soprano por vários dias no fim das férias.
Antes do Amanhecer
Minha Vida de Cachorro
O Poderoso Chefão III sempre...
Melancolia - uma metáfora sobre a vida

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Trabalho, amigos, amores e crescimento

A vida tem me levado a intensificar minha inserção no trabalho. Pensava em diminuir o ritmo. Ainda não consegui. Mas aos 58 anos tenho muitos planos pela frente. Estou caminhando um pouco a deriva construindo o registro de coisas importantes. Não sei porque me interessa tanto a memória e a documentação do espaço, dos desenhos, dos pensamentos daqueles que respeito e dos meus próprios. Encontrei muitas coisas bonitas nos meus cadernos, escritos e desenhos. Acho que o fazer é mais importante do que o resultado. Estou aprendendo que o caminho é mais importante do que o final, pois este ninguém sabe como se concretizará. Estou encontrando pessoas que vão me ajudar na organização daquilo que desejo preservar. A vida vem colocando-as no meu caminho. Vi o Brasil se manifestar de modo confuso e me emocionei novamente com o coletivo. Acho que os que lutam por um Brasil melhor deveriam abandonar arrogâncias e agregar os que tem os mesmos objetivos mas práticas diferentes.
Todos acabam contribuindo para o motor da história. Perdi coisas e pessoas importantes pra mim mas as perdas trouxeram crescimento e avanços na visão do mundo. Quero conquistar a saúde para a pele que habito, me encaixar no corpo da justa medida dos bailarinos da Pina Bausch. Uma nova vida se inicia com a intimidade perdida. O absurdo de um novo tempo "antes da meia noite".
Diálogos maiores com o conhecimento.

domingo, 2 de junho de 2013

Filme "Moscou não acredita em lágrimas"

Meu filho trouxe um filme para vermos juntos, desistiu e o sono o venceu. Impossível não se sensibilizar com este filme sendo mulher mãe e sonhadora de uma sociedade igualitária e justa. Nem no socialismo soviético se resolveu a submissão da mulher aos sentimentos de solidão e abandono na criação dos filhos sozinhas.
Uma questão maior que se submete à questão econômica. O filme é otimista quando se fala a frase título e propõe a ação para resgatar o amor perdido. Mas mesmo naquele contexto é o homem que soluciona a conquista do amor e da família. A mulher supera-se pelo trabalho e estudo mas não como dona do seu afeto, o vazio da solidão permanece.
Um bom filme para se refletir  mas que mesmo assim fortalece o espirito.


sexta-feira, 24 de maio de 2013

Renovação Urbana em São Paulo -Tese - Mooca: lugar de fazer casa


Finalmente estou divulgando pela internet um trabalho de 8 anos de pesquisa sobre a formação do bairro da Mooca e as possibilidades de renovação urbana.

É uma alegria ver este trabalho no banco de teses da USP. O link é este aí:

http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/16/16131/tde-17052013-110205/pt-br.php

domingo, 21 de abril de 2013

Tempo de estudo, tempo de sonhos, tempo de brincadeiras, turma da FAU 1975

Um presente do Mario Fujita para a nossa turma. Hoje frequento estes estúdios com outro olhar mas, o carinho é o mesmo, e a intimidade com o lugar permanece.
 
 
 











segunda-feira, 8 de abril de 2013

Ainda o desenho à mão e a vida

Descobri que desenhar à noite na hora de dormir funciona como um livro quando fico acordada pensando na vida. O problema é que o desenho absorve, consome e quando vejo já é tarde demais. Um prazer descoberto recentemente. Tenho feito autos-retratos a partir de fotos ou usando o celular como espelho. Divertido, e você pode dar um zoom num detalhe ou outro para aperfeiçoar o desenho. Desenho a caneta tipo nanquim descartável e comecei a introduzir cor com pastel de boa qualidade. Mas ando com uma necessidade de desenhar num espaço maior com carvão, me vejo fazendo isso, assim como, me vejo correndo como na cena do filme "O lado bom da vida" (o Robert De Niro está impagável) nas ruas à noite. Tomar o ar fresco da madrugada. Faço isso da minha janela da sala. O vento que bate me encanta e de noite e de dia respiro este ar fresco antes de dormir ou de começar o dia.
Gosto desse lugar.

Quando terminar a série de desenhos vou postar.

  https://publicacoes.amigosdanatureza.org.br/index.php/rlaac_sustentabilidade/article/download/2996/2850 .