Que pena! Só queria dar alegria ao meu povo, ver o a minha gente feliz, o meu povo feliz, peço desculpas. Foram as palavras de Davi Luiz. O melhor da seleção na minha opinião. Chorou sentido com a sinceridade de uma criança, com a sinceridade de um homem honrado que tinha uma missão e não conseguiu realiza-la.
Vibrei todos esses dias, com os jogos, com o melhor do futebol no mundo, com minha família, com meus filhos, com as crônicas do Veríssimo no jornal, que alegria o futebol! Somos milhões de técnicos.
Fui a um jogo pelo menos, na Arena Corinthians ver Argentina e Suíça.
Foi um dia de muita alegria, o caminho, o povo na rua cumprimentando os argentinos na entrada e na saída do estádio, o Luiz Roque e a Sofia que me entusiasmam com seu amor pelo futebol desde pequenos, companheiros de longas jornadas. Vocês foram a alegria dessa Copa. Obrigada por me envolverem nesse clima tão vibrante.
A Copa trouxe alegria ao Brasil. Deu tudo certo, o Brasil mostrou sua competência ao mundo. Está dando tudo certo pois ainda temos três jogos maravilhosos pela frente. E os estrangeiros que aqui estão experimentando a nossa hospitalidade, nossa simpatia e nossa ginga na vida, não se cansam de manifestar seu carinho ao Brasil. Eles também nos ensinam que não se deve ter preconceitos. Alguns se sentam lado a lado aos trabalhadores nos restaurantes populares como li hoje no jornal noticia sobre o Rio de Janeiro, acampam no terreirão do samba e no sambódromo em São Paulo.
Espero que os que tiveram oportunidade de ir aos estádios quebrem seus conceitos e preconceitos e se sentem também lado a lado nas ruas e praças junto com outros brasileiros não tão privilegiados.
A Alemanha foi melhor hoje e a lição que fica foi o trabalho coeso, coletivo, sem estrelismos. Foram discretos, generosos entre si, disciplinados e respeitosos com os brasileiros.
Gosto de nossos craques, Neymar carismático como sempre foi a marca de nosso futebol. Ainda ganhará uma copa junto com o Brasil. O que eu sinto é a perda da oportunidade dessa alegria no Brasil, lado a lado com os brasileiros anônimos.
Espero que o Brasil saia dessa copa com mais força no esporte, educação e cultura, a nossa cultura mais popular das ruas. Eu aprendi muito nessa copa sobre o esporte. As copas do mundo sempre ensinam muito.
Fica a tristeza pela derrota em campo, mas, fica também a vitória de congraçamento entre os povos num país sem divisionismos, sem lutas étnicas e sem guerra.
Que venham os holandeses, argentinos e alemães! Estamos entre os melhores do mundo.
Miscelânea - mistura de variadas compilações literárias, mistura de coisas diversas; mixórdia; confusão, amontoamento; salgalhada.(segundo o dicionário Aurélio). A valorização das identidades culturais na vida urbana é um desafio importante na metrópole paulistana para o reconhecimento de seus habitantes entre si. A arquitetura e o urbanismo podem construir esse lugar. Criar os lugares de encontro, da memória, os lugares para a criação, o lugar de cada um e o lugar de todos.
quarta-feira, 9 de julho de 2014
domingo, 16 de março de 2014
O parque que se quer no centro
Estudei no edifício do antigo Colégio Des Oiseuax quando lá funcionava o cursinho Equipe. O lugar era realmente muito agradável com aquele edifício antigo e suas árvores. Nos intervalos sentávamos nas suas escadarias para conversar, rir e comentar dos nossos sonhos futuros como arquitetos. Estudei dois anos lá pois não consegui entrar na USP no primeiro vestibular, e nem no segundo, pois oriunda de escola pública por melhor que fossem naquela época exigiam uma dedicação ao estudo para a qual não estava preparada ainda aos 16 anos.
E o lugar passou a fazer parte da minha intimidade na cidade.
Dali íamos ao bar do Zé comer o melhor misto quente que já comi na vida e assistíamos aos shows organizados pelo apresentador Serginho Groisman.
E assim acho que aquela parte da cidade contribuiu com minha formação. Passávamos em frente ao prédio da USP à rua Maria Antônia com aquele respeito por um lugar de luta já que vivíamos nos anos de chumbo da ditadura, 1972 e 1973.
Hoje a população do entorno luta por um parque urbano no local, já que o edifício do colégio foi demolido e o terreno vendido a incorporadores imobiliários. E a Prefeitura busca uma solução para o impasse diante do alto custo do terreno diante das inúmeras carências nas áreas periféricas. Há que se estabelecer prioridades com os recursos públicos.
Vejo esse problema como um projeto para a cidade onde se deve buscar uma solução tripartite e mediadora de interesses legítimos.
Ganha-se um parque, um equipamento público e habitações em parte da área.
Em Berlim no bairro de Hansaviertel, na década de 50, foram construídas uma série de habitações projetadas por 53 arquitetos renomados de todo o mundo ocidental convidados para realizarem os projetos, entre os quais o brasileiro Oscar Niemeyer, o dinamarquês Arne Jacobsen, o finlandês Alvar Aalto e o alemão fundador da Bauhaus, Walter Gropius.
A floresta do Tiergarten foi integrada ao projeto.
Esse projeto hoje constitui um parque de grande interesse turístico em Berlim por parte dos arquitetos do mundo inteiro, que convive pacificamente com este uso.
Evidente que o projeto para o Parque Augusta não poderia incluir torres de 18 ou 20 andares como o modelo adotado no mercado imobiliário paulistano. Pois isso exigiria um uso intenso de subsolo. Nem tão pouco edifícios com garagens já que estará no raio da futura estação Mackenzie do metrô.
E também não possui as dimensões do Parque de Berlim, mas o que importa é a discussão do conceito de parque que tem que se ampliar numa cidade como São Paulo.
Eu entendo a dificuldade da Prefeitura em priorizar recursos para uma área onde existe toda a infraestrutura urbana.
É como dizer que Copacabana precisa de mais espaço público. Poxa! O mar e a praia estão ali do lado, e assim o bairro pode ser tão denso. Mas o bairro tem uma escala agradável de edifícios baixos e praças marcando de tempos em tempos sua estrutura.
A situação ideal no caso do "Parque Augusta" assim chamado pelo movimento em sua defesa, seria termos só a área verde, uma arena cultural e uma creche que seria muito bem vinda para as crianças do entorno. Mas o custo da terra em São Paulo é muito alto no centro, portanto temos que encontrar uma solução alternativa e talvez a existência de habitações no local com unidades de vizinhança de pequena escala possa ajudar a cuidar do espaço.
E um bom começo seria um diálogo com os diversos envolvidos para a discussão das diversas possibilidades e também a solidariedade dos moradores dos bairros mais bem estruturados da cidade, que tem muito acesso à mídia, para com aqueles que não tem nada e vivem em áreas onde está tudo por fazer.
A proposta passa primeiro por um bom estudo de viabilidade econômica da aquisição do terreno e a construção da arquitetura do programa do projeto a ser desenvolvido e o modelo de gestão da área. Isso não pode ser feito apenas como solução mágica dos arquitetos e sim de todos os envolvidos.
E o lugar passou a fazer parte da minha intimidade na cidade.
Dali íamos ao bar do Zé comer o melhor misto quente que já comi na vida e assistíamos aos shows organizados pelo apresentador Serginho Groisman.
E assim acho que aquela parte da cidade contribuiu com minha formação. Passávamos em frente ao prédio da USP à rua Maria Antônia com aquele respeito por um lugar de luta já que vivíamos nos anos de chumbo da ditadura, 1972 e 1973.
Hoje a população do entorno luta por um parque urbano no local, já que o edifício do colégio foi demolido e o terreno vendido a incorporadores imobiliários. E a Prefeitura busca uma solução para o impasse diante do alto custo do terreno diante das inúmeras carências nas áreas periféricas. Há que se estabelecer prioridades com os recursos públicos.
Vejo esse problema como um projeto para a cidade onde se deve buscar uma solução tripartite e mediadora de interesses legítimos.
Ganha-se um parque, um equipamento público e habitações em parte da área.
Em Berlim no bairro de Hansaviertel, na década de 50, foram construídas uma série de habitações projetadas por 53 arquitetos renomados de todo o mundo ocidental convidados para realizarem os projetos, entre os quais o brasileiro Oscar Niemeyer, o dinamarquês Arne Jacobsen, o finlandês Alvar Aalto e o alemão fundador da Bauhaus, Walter Gropius.
A floresta do Tiergarten foi integrada ao projeto.
Esse projeto hoje constitui um parque de grande interesse turístico em Berlim por parte dos arquitetos do mundo inteiro, que convive pacificamente com este uso.
Evidente que o projeto para o Parque Augusta não poderia incluir torres de 18 ou 20 andares como o modelo adotado no mercado imobiliário paulistano. Pois isso exigiria um uso intenso de subsolo. Nem tão pouco edifícios com garagens já que estará no raio da futura estação Mackenzie do metrô.
E também não possui as dimensões do Parque de Berlim, mas o que importa é a discussão do conceito de parque que tem que se ampliar numa cidade como São Paulo.
Eu entendo a dificuldade da Prefeitura em priorizar recursos para uma área onde existe toda a infraestrutura urbana.
É como dizer que Copacabana precisa de mais espaço público. Poxa! O mar e a praia estão ali do lado, e assim o bairro pode ser tão denso. Mas o bairro tem uma escala agradável de edifícios baixos e praças marcando de tempos em tempos sua estrutura.
A situação ideal no caso do "Parque Augusta" assim chamado pelo movimento em sua defesa, seria termos só a área verde, uma arena cultural e uma creche que seria muito bem vinda para as crianças do entorno. Mas o custo da terra em São Paulo é muito alto no centro, portanto temos que encontrar uma solução alternativa e talvez a existência de habitações no local com unidades de vizinhança de pequena escala possa ajudar a cuidar do espaço.
E um bom começo seria um diálogo com os diversos envolvidos para a discussão das diversas possibilidades e também a solidariedade dos moradores dos bairros mais bem estruturados da cidade, que tem muito acesso à mídia, para com aqueles que não tem nada e vivem em áreas onde está tudo por fazer.
A proposta passa primeiro por um bom estudo de viabilidade econômica da aquisição do terreno e a construção da arquitetura do programa do projeto a ser desenvolvido e o modelo de gestão da área. Isso não pode ser feito apenas como solução mágica dos arquitetos e sim de todos os envolvidos.
sábado, 15 de março de 2014
Transporte público na pauta do futuro da cidade - a polêmica dos corredores
O tema do transporte público não sai da pauta da cidade, da vida cotidiana, está na boca do povo.
E assim se fala das tarifas, do bilhete único, do bilhete mensal, da integração, dos terminais de transferência, do tempo de espera, do ponto de ônibus, da faixa do ônibus, do táxi, do automóvel financiado, do metrô e dos trens lotados.
Todos se envolvem com a questão. Isso no mínimo indica que essa é uma questão estratégica na vida das pessoas que vivem e trabalham em São Paulo e em outras cidades também, de maneira variada mas não menos importante.
Mas, no caso de São Paulo, o tema ganha dimensão pelas longas distâncias a serem percorridas entre casa e trabalho, casa e escola e casa e lazer.
A proposta de construção de corredores exclusivos para os ônibus pode resolver parcialmente o problema mas se mostra limitada na medida em que reproduz o uso do transporte sobre pneus e provoca um grande impacto de desapropriações de imóveis para alargamento das vias onde serão construídos os corredores.
Perde-se assim a oportunidade de recolocar a opção do transporte sobre trilhos de média capacidade, que daria uma outra cara para São Paulo utilizando o mesmo sistema viário já existente. Já tivemos 150 km de traçado de linhas de bondes.
O custo evidentemente da construção de linhas do transporte elétrico na fase de implantação é mais caro do que a obra dos corredores em si, mas, se o impacto das desapropriações e seus custos são tão grandes e começa a criar reações pela cidade é hora de se rever a proposta da Prefeitura e construir uma proposta alternativa com visão de longo prazo com transporte sobre trilhos em parte dos traçados, como na Avenida 23 de Maio, ou em um terço de toda a rede nas vias com largura menor, diminuindo as desapropriações, como um efeito demonstração para o futuro.
Um futuro de uma cidade menos poluída, mais silenciosa e mais calma, onde se poderá aprecia-la naquilo que ela tem de beleza.
E assim se fala das tarifas, do bilhete único, do bilhete mensal, da integração, dos terminais de transferência, do tempo de espera, do ponto de ônibus, da faixa do ônibus, do táxi, do automóvel financiado, do metrô e dos trens lotados.
Todos se envolvem com a questão. Isso no mínimo indica que essa é uma questão estratégica na vida das pessoas que vivem e trabalham em São Paulo e em outras cidades também, de maneira variada mas não menos importante.
Mas, no caso de São Paulo, o tema ganha dimensão pelas longas distâncias a serem percorridas entre casa e trabalho, casa e escola e casa e lazer.
A proposta de construção de corredores exclusivos para os ônibus pode resolver parcialmente o problema mas se mostra limitada na medida em que reproduz o uso do transporte sobre pneus e provoca um grande impacto de desapropriações de imóveis para alargamento das vias onde serão construídos os corredores.
Perde-se assim a oportunidade de recolocar a opção do transporte sobre trilhos de média capacidade, que daria uma outra cara para São Paulo utilizando o mesmo sistema viário já existente. Já tivemos 150 km de traçado de linhas de bondes.
O custo evidentemente da construção de linhas do transporte elétrico na fase de implantação é mais caro do que a obra dos corredores em si, mas, se o impacto das desapropriações e seus custos são tão grandes e começa a criar reações pela cidade é hora de se rever a proposta da Prefeitura e construir uma proposta alternativa com visão de longo prazo com transporte sobre trilhos em parte dos traçados, como na Avenida 23 de Maio, ou em um terço de toda a rede nas vias com largura menor, diminuindo as desapropriações, como um efeito demonstração para o futuro.
Um futuro de uma cidade menos poluída, mais silenciosa e mais calma, onde se poderá aprecia-la naquilo que ela tem de beleza.
sexta-feira, 14 de março de 2014
As mulheres jovens da cidade
Lutam todos os dias pelas ruas da cidade.
Correm com as tarefas domésticas.
Correm para trabalhar.
Lutam para educar os filhos.
Lutam para proteger a família transformada nos dias de hoje.
São as mães e os filhos superando desafios.
São as mães mulheres lutando pelo seu sustento.
São as mulheres que superam as tristezas e decidem pela alegria de viver.
Minha mãe dizia que criamos os filhos para o mundo.
Mas só consegue esse desprendimento quem vê seu filho seguro, independente e com autonomia,
a autonomia de decidir.
Isso se constrói com a liberdade de expressão, com a exposição dos conflitos e diálogo entre gerações, sem preconceitos, acompanhando as mudanças do mundo e com o companheirismo dos homens.
As mulheres tem força para o trabalho, para os filhos e para a luta.
Falta a liberdade no espaço onde vivem.
Liberdade para circular.
Respeito e paz nos ônibus, nos trens, nos bares, nas festas ou nos espaços públicos.
Saúde durante sua juventude.
Escolha quanto à sua maternidade.
Igualdade significa decidir livremente e ser respeitada em suas decisões.
O dia das mulheres é internacional, as questões femininas estão nos países pobres e ricos, um dia de luta pois há muito por mudar e fazer.
Correm com as tarefas domésticas.
Correm para trabalhar.
Lutam para educar os filhos.
Lutam para proteger a família transformada nos dias de hoje.
São as mães e os filhos superando desafios.
São as mães mulheres lutando pelo seu sustento.
São as mulheres que superam as tristezas e decidem pela alegria de viver.
Minha mãe dizia que criamos os filhos para o mundo.
Mas só consegue esse desprendimento quem vê seu filho seguro, independente e com autonomia,
a autonomia de decidir.
Isso se constrói com a liberdade de expressão, com a exposição dos conflitos e diálogo entre gerações, sem preconceitos, acompanhando as mudanças do mundo e com o companheirismo dos homens.
As mulheres tem força para o trabalho, para os filhos e para a luta.
Falta a liberdade no espaço onde vivem.
Liberdade para circular.
Respeito e paz nos ônibus, nos trens, nos bares, nas festas ou nos espaços públicos.
Saúde durante sua juventude.
Escolha quanto à sua maternidade.
Igualdade significa decidir livremente e ser respeitada em suas decisões.
O dia das mulheres é internacional, as questões femininas estão nos países pobres e ricos, um dia de luta pois há muito por mudar e fazer.
quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
Patrimônio e meio ambiente – o custo de intervenções conscientes
Dois temas da atualidade no Brasil e no mundo tem sido objeto dos embates entre desenvolvimento e preservação do patrimônio histórico e do meio ambiente.
Os conflitos surgem do alto grau de urbanização que chegaram as sociedades contemporâneas. Decorrente desse processo encontra-se a necessidade de infraestrutura e crescimento econômico para atender as demandas por serviços e o anseio das comunidades por recuperar sua identidade com os seus “lugares” de viver.
No caso do meio ambiente fala-se em um aumento de 30% no custo das obras de proteção contra os impactos ambientais provocados por elas.
Evidentemente, esta cifra não pode ser generalizada, pois, orçamentos de obras são elementos específicos condicionados ao detalhamento das condições locais, preço de mão de obra, acesso a materiais, e particularmente dos projetos.
Deve-se ainda descontar o ônus gerado pela prática dos governos de licitar obras sem os respectivos projetos executivos que visam prever todos os detalhes necessários e os custos cujo próprio nome já diz, de executar as obras.
Se eliminarmos os fatores que geram um adicional aos custos das obras, mesmo assim as exigências ambientais vão aumentar seus custos. Para que este impacto não gere a ideia distorcida que a preservação ambiental atrapalha o desenvolvimento é necessário que os governantes e os empresários valorizem a prática de planejamento e de elaboração de projetos com a antecedência exigida para adequar os projetos ao meio ambiente de cada localidade, dentro de um conceito abrangente que inclua as populações envolvidas.
O problema da preservação do patrimônio histórico exige também uma abordagem abrangente que envolva o patrimônio construído e o imaterial que inclui a memória das comunidades quanto a vivencia, quanto à paisagem e aos usos que ela deseja verem preservados.
As cidades de um modo geral guardam relíquias construídas que significam muito para seus moradores, pois os remetem a tempos áureos da formação e vitalidade do seu momento de fundação ou de grande pujança econômica.
Nas metrópoles, há um sentimento semelhante, pois a velocidade de mutação da paisagem faz com que o crescimento do sentimento de perdas afetivas se expresse às vezes de maneira subjetiva, às vezes com a defesa de bens construídos sem muita certeza do que podem significar. Nesse caso, às vezes preservar a paisagem significa um anseio por um retorno a uma vida gregária que a excessiva verticalização urbana afasta cada vez mais das comunidades.
Novamente aqui se coloca o problema do planejamento e do projeto. Nem tudo pode, deve ou merece ser preservado numa metrópole que possui gigantescos problemas de infraestrutura, serviços e habitação. Mas, há um grande potencial ocioso, fruto da dinâmica econômica e empobrecimento, sendo necessária a identificação dos espaços com os quais a sociedade se identifica para incluí-los no processo de desenvolvimento, planejamento e crescimento das cidades.
É o custo de reconquistar a integração do tecido social urbano, humanizar a cidade e acabar com o “apartheid” entre bairros, populações, trabalhadores e governantes. Assim mudaria o conceito do que é uma obra cara.
Os conflitos surgem do alto grau de urbanização que chegaram as sociedades contemporâneas. Decorrente desse processo encontra-se a necessidade de infraestrutura e crescimento econômico para atender as demandas por serviços e o anseio das comunidades por recuperar sua identidade com os seus “lugares” de viver.
No caso do meio ambiente fala-se em um aumento de 30% no custo das obras de proteção contra os impactos ambientais provocados por elas.
Evidentemente, esta cifra não pode ser generalizada, pois, orçamentos de obras são elementos específicos condicionados ao detalhamento das condições locais, preço de mão de obra, acesso a materiais, e particularmente dos projetos.
Deve-se ainda descontar o ônus gerado pela prática dos governos de licitar obras sem os respectivos projetos executivos que visam prever todos os detalhes necessários e os custos cujo próprio nome já diz, de executar as obras.
Se eliminarmos os fatores que geram um adicional aos custos das obras, mesmo assim as exigências ambientais vão aumentar seus custos. Para que este impacto não gere a ideia distorcida que a preservação ambiental atrapalha o desenvolvimento é necessário que os governantes e os empresários valorizem a prática de planejamento e de elaboração de projetos com a antecedência exigida para adequar os projetos ao meio ambiente de cada localidade, dentro de um conceito abrangente que inclua as populações envolvidas.
O problema da preservação do patrimônio histórico exige também uma abordagem abrangente que envolva o patrimônio construído e o imaterial que inclui a memória das comunidades quanto a vivencia, quanto à paisagem e aos usos que ela deseja verem preservados.
As cidades de um modo geral guardam relíquias construídas que significam muito para seus moradores, pois os remetem a tempos áureos da formação e vitalidade do seu momento de fundação ou de grande pujança econômica.
Nas metrópoles, há um sentimento semelhante, pois a velocidade de mutação da paisagem faz com que o crescimento do sentimento de perdas afetivas se expresse às vezes de maneira subjetiva, às vezes com a defesa de bens construídos sem muita certeza do que podem significar. Nesse caso, às vezes preservar a paisagem significa um anseio por um retorno a uma vida gregária que a excessiva verticalização urbana afasta cada vez mais das comunidades.
Novamente aqui se coloca o problema do planejamento e do projeto. Nem tudo pode, deve ou merece ser preservado numa metrópole que possui gigantescos problemas de infraestrutura, serviços e habitação. Mas, há um grande potencial ocioso, fruto da dinâmica econômica e empobrecimento, sendo necessária a identificação dos espaços com os quais a sociedade se identifica para incluí-los no processo de desenvolvimento, planejamento e crescimento das cidades.
É o custo de reconquistar a integração do tecido social urbano, humanizar a cidade e acabar com o “apartheid” entre bairros, populações, trabalhadores e governantes. Assim mudaria o conceito do que é uma obra cara.
terça-feira, 14 de janeiro de 2014
Arraial do Cabo um pedaço de beleza do Brasil
Estive em Arraial do Cabo por uma semana com minha filha. Há muito tempo queria conhecer este lugar, mas sempre alguma mudança de planos ou a acomodação da vida não permitia.
Fui dessa vez no susto, como se diz. Havia visto umas fotos na internet e fiquei maravilhada com a cor do mar. Adoro o mar mesmo não sabendo nadar. Decidi que minhas férias passariam por aquelas praias num lampejo do olhar sem saber que já havia decidido. Queria descansar na beira do mar, num mar em que eu pudesse entrar e brincar na água sem medo. Se fosse sozinha iria para minhas conhecidas praias paulistas do litoral norte, que sempre me acolhem no verão. Mas, por sorte minha filha conseguiu umas férias no mesmo período que eu, duas professoras exauridas pelo trabalho precisando de descanso.
Foi um prazer essa viagem. Em dois dias já havia resolvido tudo e assim fomos. Desisti do carro na última hora e não me arrependo. Passamos sete dias andando à pé, olhando a cidade, escolhendo a praia do dia, brincando, rindo e conversando entre nós e com quem puxasse conversa.
Comemos peixe, todos os dias e o melhor de tudo foi o passeio de barco para conhecer três praias e a Gruta Azul. Nunca vi nada igual. Tive medo em alguns momentos do barco enfrentando as ondas numa pequena baía entre o continente e a ilha do Farol com uma corrente de vento. Mas, a grande surpresa foi chegar no mar aberto com calmaria e poder olhar cada rocha, a vegetação e o mar que me atraía o tempo todo. Vimos a baleia ao longe, tartarugas nos acompanhando e os cardumes quase à beira d´água acossados pelas gaivotas famintas. Vi as diferentes tonalidades de azul e só pensava que queria poder desenhar aquilo que via. Então fotografei muito, tentando reter aqueles momentos. Brincamos muito com as fotos para depois curtirmos.
Quando vi a gruta Azul fiquei extasiada com uma sensação de paz e agradecida aos dois jovens barqueiros que nos levaram com segurança e mostraram com orgulho aquela paisagem. Um pedaço do Brasil de calmaria e beleza, uma semana que pareceu um tempo mais longo de tanto encher os olhos e poder percorrer os caminhos com calma e boa companhia. Nos momentos finais um por do sol e a pesca artesanal mostraram a natureza e a cultura que emolduram a vida local.
Fui dessa vez no susto, como se diz. Havia visto umas fotos na internet e fiquei maravilhada com a cor do mar. Adoro o mar mesmo não sabendo nadar. Decidi que minhas férias passariam por aquelas praias num lampejo do olhar sem saber que já havia decidido. Queria descansar na beira do mar, num mar em que eu pudesse entrar e brincar na água sem medo. Se fosse sozinha iria para minhas conhecidas praias paulistas do litoral norte, que sempre me acolhem no verão. Mas, por sorte minha filha conseguiu umas férias no mesmo período que eu, duas professoras exauridas pelo trabalho precisando de descanso.
Foi um prazer essa viagem. Em dois dias já havia resolvido tudo e assim fomos. Desisti do carro na última hora e não me arrependo. Passamos sete dias andando à pé, olhando a cidade, escolhendo a praia do dia, brincando, rindo e conversando entre nós e com quem puxasse conversa.
Comemos peixe, todos os dias e o melhor de tudo foi o passeio de barco para conhecer três praias e a Gruta Azul. Nunca vi nada igual. Tive medo em alguns momentos do barco enfrentando as ondas numa pequena baía entre o continente e a ilha do Farol com uma corrente de vento. Mas, a grande surpresa foi chegar no mar aberto com calmaria e poder olhar cada rocha, a vegetação e o mar que me atraía o tempo todo. Vimos a baleia ao longe, tartarugas nos acompanhando e os cardumes quase à beira d´água acossados pelas gaivotas famintas. Vi as diferentes tonalidades de azul e só pensava que queria poder desenhar aquilo que via. Então fotografei muito, tentando reter aqueles momentos. Brincamos muito com as fotos para depois curtirmos.
Quando vi a gruta Azul fiquei extasiada com uma sensação de paz e agradecida aos dois jovens barqueiros que nos levaram com segurança e mostraram com orgulho aquela paisagem. Um pedaço do Brasil de calmaria e beleza, uma semana que pareceu um tempo mais longo de tanto encher os olhos e poder percorrer os caminhos com calma e boa companhia. Nos momentos finais um por do sol e a pesca artesanal mostraram a natureza e a cultura que emolduram a vida local.
terça-feira, 31 de dezembro de 2013
6000 é um número bonito
6000 visitas no último dia do ano é algo gratificante. Identidade que se encontra via internet.
Talvez seja uma boa conquista nesse aspecto divulgar ideias que encontram eco em algum lugar. Não tenho pretensões por essa via, apenas escrever e deixar registrado aquilo que me toca. Sentimentos, olhares e reflexões. Um bom ano certamente eu terei em 2014. Desejo o mesmo a todos.
Talvez seja uma boa conquista nesse aspecto divulgar ideias que encontram eco em algum lugar. Não tenho pretensões por essa via, apenas escrever e deixar registrado aquilo que me toca. Sentimentos, olhares e reflexões. Um bom ano certamente eu terei em 2014. Desejo o mesmo a todos.
domingo, 29 de dezembro de 2013
Fim de ano, feliz ano novo
Viver a vida já é uma batalha diária.
Mas viver o fim de ano com as festas que trazem ausências doídas é tarefa hercúlea.
Parece uma barreira do som e da luz que tenho que passar.
Sobrevivi.
Estou me reorganizando para viver os momentos, mais do que viver os sonhos, que são só sonhos, materialidade da mente.
Melhor será viver cada dia, cada conquista e deixar para trás o que não se pode mudar.
Tarefa difícil pra mim que sou guerreira por natureza, inconformada, obstinada pelos meus sonhos e contra as injustiças da vida.
Mas a vida dos sentimentos é fruto da vontade dos homens e esta ninguém de fora pode mudar.
Por isso afastar da mente os sonhos impossíveis é uma forma de viver a justa medida da vida com as suas mãos e suas próprias pernas e esquecer a terceira perna. Como diz Clarice Lispector, não se pode andar com três pernas. Viver no justo corpo que nos cabe como o balé de Pina Bausch.
Feliz ano novo a todos os meus amigos, filhos queridos, irmãos e sobrinhos.
Mas viver o fim de ano com as festas que trazem ausências doídas é tarefa hercúlea.
Parece uma barreira do som e da luz que tenho que passar.
Sobrevivi.
Estou me reorganizando para viver os momentos, mais do que viver os sonhos, que são só sonhos, materialidade da mente.
Melhor será viver cada dia, cada conquista e deixar para trás o que não se pode mudar.
Tarefa difícil pra mim que sou guerreira por natureza, inconformada, obstinada pelos meus sonhos e contra as injustiças da vida.
Mas a vida dos sentimentos é fruto da vontade dos homens e esta ninguém de fora pode mudar.
Por isso afastar da mente os sonhos impossíveis é uma forma de viver a justa medida da vida com as suas mãos e suas próprias pernas e esquecer a terceira perna. Como diz Clarice Lispector, não se pode andar com três pernas. Viver no justo corpo que nos cabe como o balé de Pina Bausch.
Feliz ano novo a todos os meus amigos, filhos queridos, irmãos e sobrinhos.
quinta-feira, 12 de dezembro de 2013
Conselho Participativo e uma cidade mais humana
Escrevo para agradecer e comunicar que fui eleita como Conselheira para a Subprefeitura da Vila Mariana, junto com outros lutadores por uma cidade mais humanizada, mais justa e mais solidária. Esperamos contribuir com propostas para melhorar o nosso cotidiano e tornar nossa cidade nosso "lugar de aconchego".
terça-feira, 3 de dezembro de 2013
Vida urbana e compromisso cidadão
Não poderia deixar de falar aqui, nesse espaço livre para a expressão de ideias, que pela primeira vez me candidato a uma função pública como cidadã.
Sou candidata ao Conselho Municipal Participativo da Vila Mariana, junto com outros moradores e atuantes militantes pela qualidade de vida e defesa da cultura em nossa cidade.
A eleição será no dia 8 DE DEZEMBRO PRÓXIMO, um domingo.
O Conselho Participativo Municipal tem caráter eminentemente público e é organismo autônomo da sociedade civil, reconhecido pelo Poder Público Municipal como instância de representação da população de cada região da Cidade para exercer o direito dos cidadãos ao controle social, por meio da fiscalização de ações e gastos públicos, bem como da apresentação de demandas, necessidades e prioridades na área de sua abrangência.
Qualquer eleitor pode votar em cinco candidatos de qualquer região da cidade, os locais de votação, podem ser encontrados no link abaixo com o número do seu título:
pois o TRE-SP organizou por região e juntou várias zonas eleitorais em algumas escolas.
Serão eleitos os mais votados de cada distrito. Mesmo quem não vota em São Paulo, trabalha aqui e deseja que essa cidade melhore pode apoiar pedindo votos para seus amigos daqui que poderiam votar. Por isso peço o apoio de vocês para votarem e divulgar entre amigos, a minha candidatura.
No site das subprefeituras estão as listas dos colégios eleitorais agrupados em algumas escolas em cada subprefeitura mas o número 156 também vai informar se o eleitor ligar com o numero da sua seção e zona eleitoral.
Recomendo também os candidatos abaixo:
Um grande abraço. Desde já agradeço o apoio.
Rosana Miranda — número 52058 - Arquiteta Professora Dra. da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (USP)
Denise Delfim — número 52012 - Jornalista e editora do jornal Pedaço da Vila
Ricardo O Outro lado do Muro – número 52053 - Engenheiro Agrônomo, Advogado, e Mestre em Saúde Pública pela USP, iniciou o Movimento O Outro Lado do Muro.
Flávio Carrança — número 52022 - Jornalista e integrante da TV Assim - Associação de Imagens.
Eliana Tiezzi Nascimento — número 52018 - Psicóloga, psicanalista e coordenadora geral do Projeto Papel de Gente.
Paulo Luciano Sguario Silva — número 52049 - Produtor Gráfico.
Cícera Vieira — número 52009 - Presidente da Associação Mãos Unidas
José Carlos Corrêa Cavalcanti — número 52029 - Ex-professor de Matemática atua em prol de áreas verdes e causas comunitárias na Vila Clementino
Amigos da Vila Mariana
Um grupo de moradores do bairro resolveu colocar à prova sua cidadania, aceitando o desafio de candidatar-se ao cargo de membro do Conselho Participativo Municipal, cuja eleição ocorrerá, pela primeira vez em nossa cidade, em 8 de dezembro próximo, pelo voto distrital. Esse Conselho, formado exclusivamente por membros da sociedade civil para a representação de cada região da cidade de São Paulo, permitirá que os cidadãos, eleitos pelo voto distrital, exerçam o controle social das Subprefeituras, assegurando a participação da sociedade no planejamento e fiscalização de ações e gastos públicos, além de contribuir com sugestões de políticas públicas para seus bairros.
A abertura de um tal espaço democrático é motivo de alegria para a comunidade paulistana! Principalmente por se tratar de eleição onde os candidatos a Conselheiros das Subprefeituras são moradores dos 96 distritos que compõem as respectivas áreas administrativas; portanto você sabe quem são, onde moram, que padarias e restaurantes elas frequentam; não são estranhos ao bairro, aventureiros que ali vêm na época das eleições para enganar sua boa fé.
Porém, é preciso discernir entre os cidadãos que realmente defendem uma pauta inteiramente voltada ao interesse público daqueles que, representando o interesse do grande capital, desejam estar junto ao Poder para pressionar em favor de suas demandas, guiadas exclusivamente pela ganância e desejo de lucro exacerbados.
Tenhamos em mente que Vila Mariana hoje é um dos bairros mais visados pela especulação imobiliária, o que acrescenta mensalmente milhares de veículos nas ruas, sobrecarrega a infraestrutura disponível, polui o ar e congestiona cada vez mais o trânsito de nossas vias; acaba com as moradias menores; destrói o pequeno e tradicional comércio das vizinhanças; aniquila a sensação de pertencimento do morador à sua comunidade.
Os cidadãos autênticos, porém, desejam a preservação do meio ambiente, da memória de sua paisagem, com limitação da euforia da construção de prédios imensos, com a criação de mais praças, assim como mais e melhores instituições de saúde e educação pública de qualidade — enfim, políticas públicas voltadas à melhoria da qualidade de vida em todos os aspectos, priorizando o cuidado com as crianças e jovens, com os idosos e com patrimônio cultural material e imaterial do bairro.
Cidadãos da Vila Mariana: mostremos que as manifestações de junho, com o inédito grito de alerta e inconformismo de nossa juventude, inaugurou um novo estágio da consciência cidadã dos moradores de nosso bairro!
Dia 8 de dezembro, vote apenas em pessoas conhecidas e realmente merecedoras de sua confiança!
O texto acima foi escrito em consenso pelo grupo de candidatos acima.
sábado, 30 de novembro de 2013
Memorial da America Latina - lágrimas de fogo
Gosto do Memorial da América Latina.
Quando esse conjunto projetado por Niemeyer estava em construção me lembro de uma discussão com alguns colegas arquitetos sobre a hipótese da obra dialogar ou não com a cidade. Uma polêmica que alguns generalizavam como crítica às intervenções do "Arquiteto", como o chama numa belíssima canção, o cantor e compositor Djavan.
Dizia-se que suas formas eram bonitas, mas, se colocavam fora dos contextos urbanos.
Impossível penso eu, enxergar assim sua obra.
Há que se olhar e olhar repetidas vezes e encontrar sua poesia, sua visão, sua beleza e suas formas inventivas de quem olha muitas vezes o "lugar" para desenhar.
Mas, fiquei em dúvida mesmo assim diante daquela polêmica. Sempre me preocupou o tema da imagem da cidade, sua identidade em cada lugar. Mas, mesmo assim, gostava daquele projeto, suas formas e o branco animavam uma parte em decadência física da cidade.
Alguns anos depois fui a um seminário, dos inúmeros que acontecem lá, e tive a resposta à minha dúvida. Comecei a andar pelo bairro, que ainda não estava tão descaracterizado, e a olhar as fábricas em volta do complexo, e fiquei impressionada com a semelhança da escala dos edifícios.
A Barra Funda possuía fábricas verticalizadas com cinco ou seis pavimentos. Diferente da paisagem da Mooca, minha velha conhecida que tinha grandes galpões térreos.
Percebi que os edifícios do Memorial traziam uma proporção que dialogava com a altura das fábricas do bairro soltas, individuais nos quarteirões, nas ruas em meio ao casario. Fiquei alegre por encontrar essa relação que talvez não fosse intencional, mas, mais uma vontade minha.
No entanto, gosto de pensar que há ensinamentos na arquitetura que não estão visíveis a olho nu.
E aquela mão com o formato da América Latina no meio da praça? Vermelha como pulsa o sangue do povo latino americano! Que ousadia! Beira à arte popular. Ali também tem a mão de Darcy Ribeiro.
Estive no Memorial em atos políticos da atividade do Parlatino. Tive a oportunidade de ver Fidel Castro cumprimentando delegações que o homenagearam por lá. E fui a um aniversário do próprio arquiteto, onde o conheci pessoalmente e fiquei impressionada com a delicadeza da sua mão ao cumprimentá-lo.
Recentemente fui ao memorial ver os painéis de Portinari da ONU.
Que orgulho daquela obra!
E pensar que o autor nem pode ir à sua inauguração por razões políticas.
Dessa vez me pus a contemplar a cidade a partir da passarela que liga os dois complexos sobre a avenida e cuja existência nos faz quase esquecer que são dois terrenos.
Descobri como se deve tratar uma passarela elevada, solução tão rejeitada pelos pedestres de um modo geral nessa cidade tão agitada, uma solução onde suas cabeças estão protegidas num espaço controlado.
Simples assim, óbvio diriam outros, mas não temos outro exemplo assim tão bem resolvido na cidade, em espaço público a céu aberto.
Gosto do Memorial e senti como se São Paulo ficasse ferida com este incêndio.
Quando esse conjunto projetado por Niemeyer estava em construção me lembro de uma discussão com alguns colegas arquitetos sobre a hipótese da obra dialogar ou não com a cidade. Uma polêmica que alguns generalizavam como crítica às intervenções do "Arquiteto", como o chama numa belíssima canção, o cantor e compositor Djavan.
Dizia-se que suas formas eram bonitas, mas, se colocavam fora dos contextos urbanos.
Impossível penso eu, enxergar assim sua obra.
Há que se olhar e olhar repetidas vezes e encontrar sua poesia, sua visão, sua beleza e suas formas inventivas de quem olha muitas vezes o "lugar" para desenhar.
Mas, fiquei em dúvida mesmo assim diante daquela polêmica. Sempre me preocupou o tema da imagem da cidade, sua identidade em cada lugar. Mas, mesmo assim, gostava daquele projeto, suas formas e o branco animavam uma parte em decadência física da cidade.
Alguns anos depois fui a um seminário, dos inúmeros que acontecem lá, e tive a resposta à minha dúvida. Comecei a andar pelo bairro, que ainda não estava tão descaracterizado, e a olhar as fábricas em volta do complexo, e fiquei impressionada com a semelhança da escala dos edifícios.
A Barra Funda possuía fábricas verticalizadas com cinco ou seis pavimentos. Diferente da paisagem da Mooca, minha velha conhecida que tinha grandes galpões térreos.
Percebi que os edifícios do Memorial traziam uma proporção que dialogava com a altura das fábricas do bairro soltas, individuais nos quarteirões, nas ruas em meio ao casario. Fiquei alegre por encontrar essa relação que talvez não fosse intencional, mas, mais uma vontade minha.
No entanto, gosto de pensar que há ensinamentos na arquitetura que não estão visíveis a olho nu.
E aquela mão com o formato da América Latina no meio da praça? Vermelha como pulsa o sangue do povo latino americano! Que ousadia! Beira à arte popular. Ali também tem a mão de Darcy Ribeiro.
Estive no Memorial em atos políticos da atividade do Parlatino. Tive a oportunidade de ver Fidel Castro cumprimentando delegações que o homenagearam por lá. E fui a um aniversário do próprio arquiteto, onde o conheci pessoalmente e fiquei impressionada com a delicadeza da sua mão ao cumprimentá-lo.
Recentemente fui ao memorial ver os painéis de Portinari da ONU.
Que orgulho daquela obra!
E pensar que o autor nem pode ir à sua inauguração por razões políticas.
Dessa vez me pus a contemplar a cidade a partir da passarela que liga os dois complexos sobre a avenida e cuja existência nos faz quase esquecer que são dois terrenos.
Descobri como se deve tratar uma passarela elevada, solução tão rejeitada pelos pedestres de um modo geral nessa cidade tão agitada, uma solução onde suas cabeças estão protegidas num espaço controlado.
Simples assim, óbvio diriam outros, mas não temos outro exemplo assim tão bem resolvido na cidade, em espaço público a céu aberto.
Gosto do Memorial e senti como se São Paulo ficasse ferida com este incêndio.
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