sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Movimento

Descobri o prazer de me movimentar na água e no sol. Duas grandes paixões.
A retomada constante de cuidar da saúde é um desafio para que eu possa usufruir do que a vida me oferece.
Vou devagar agora, desacelerando, mas, criando raízes, buscando as profundezas do conhecer.Aprofundando como se cava um buraco no solo e se sente a humidade, o vai e vem das formigas e o mundo da fantasia que meu pai contava em seu livro-memória, "Porangaba e meus Parceiros".
Recusar o disperso não significa abandonar o solidário.
Significa dar consistência para o conhecimento da vida, dos homens , das cidades, das estórias e da história. Dar um passo a diante.
Agora distante dele vejo que meu pai não fazia muitas coisas, era um caipira capaz de passar horas observando a fumaça de seu cigarro, as vezes cigarro de palha, que ele tinha orgulho de exibir como hábito não perdido na cidade grande, e curtindo os pássaros no seu quintal. Me lembra o quadro de Almeida Júnior, "O Caipira picando fumo" da Pinacoteca.
Mas era um homem profundo e realizou seu sonho de publicar um livro, deixar seu legado. Massageava o pezinho  de cada neto que nascia como um remédio para acalmar as crianças.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Amizade

Hoje a tristeza quase quis tomar conta da minha vida. Empurrei ela pra lá. Não deixei, busquei uma saída das melhores que poderia encontrar, estar com amigos. Amigos que não querem nada em troca, só estar junto, e conversar. As nuvens e o frio passaram ao largo desse dia caloroso.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

A noite cheia no céu


O Céu de São Paulo

O céu está especialmente limpo agora à noite.
Queria saber o nome das estrelas.
Meu pai saberia o de algumas.
Fui buscar um mapa e achei um on-line, mas, ele se apresenta invertido com relação à posição da minha janela. E não sei como seria a posição certa.
Sei quais são as Três Marias e sua posição vai a caminho de se esconder ao sudoeste de minha janela noite adentro.
Mas, o vento continua suave e animador.
Como queria saber o nome das estrelas.
Lembrei-me que meu primeiro sonho de criança era ser astronauta.
Alguém me disse, acho que meu pai, com muita delicadeza, que seria necessário ter a visão perfeita e que talvez eu não passasse nesse teste por usar óculos desde os quatro anos de idade.
Foi a primeira mudança de rumo à qual tive que me adaptar, acho que aí me tornei um pouco flexível na vida.
Mas, eu ainda queria saber o nome das estrelas que vejo.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Um dia de fruição da vida

A dor se transformou em felicidade hoje pelo simples fato de compreende-la e diminuir o sentimento de culpa por sentir a dor da vida.
A música me fez companhia para encontrar pessoas em luta em suas  diversas formas. Luta pelo conhecimento, pela liberdade, pela democracia, pela sinceridade no diálogo.
Tomei algumas decisões que soltaram amarras como se cordas tivessem seus nós desatados num fundo do mar e permitissem emergir da sensação de sufocamento. Percebi a possibilidade e o alcance da liberdade. Não a liberdade egoísta mas a liberdade solidária.
Não tive medo de beber dessa fonte, o céu cinza ficou azul molhado pela chuva que ainda cai.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Filmes da semana

O mordomo da Casa Branca e Ana Arabia

O primeiro a estória de um mordomo e do racismo nos EUA. Fiquei emocionada no final quando ele reconhece já em idade avançada a confusão para enxergar o que se passa no mundo, na vida, na família. O elenco me comoveu, Forest Whitaker, Oprah Winfrey, David Oyelowo, John Cusack, Jane Fonda, Cuba Gooding Jr., James Marsden. Foi sem querer que entrei naquela sessão, fui à deriva, dei sorte e não consegui perder um segundo do filme.

O segundo mostra uma família onde árabes e judeus estão entrelaçados e a estória acontece em movimento pelo caminhar da jornalista por um espaço quase que rural dentro da cidade moderna conversando com as mulheres e os homens da casa-pátio-casa do diretor israelense Amos Gitai. O cinema-arquitetura se misturam também aqui. Dormi no início do filme, isso tem acontecido ultimamente quando a luz se apaga, tal é o meu cansaço.
Acordei com o movimento constante da câmera num ritmo emotivo e quase musical. Uma frase de uma das mulheres ficou na minha cabeça, achei-a tão triste que não ouso escrevê-la.




quarta-feira, 30 de outubro de 2013

A vida que muda

Ando por um mundo de transição. O contato concreto, direto com as pessoas anda difícil e escasso.
Queria que a vida se alongasse na conversa com meus filhos e com mais e mais jovens.
Queria um monte de coisas.
Ontem me encantei com fotos de uma cidade se formando, sua história e paisagem.
O Rio de Janeiro.
Minha segunda cidade que me fustiga e apaixona.
O mundo me interessa, sigo o canto da sereia, vejo a Lua e as Três Marias, coisa que aprendi a ver olhando o céu com meu pai.
Cheiro a noite antes de dormir, esse ritual me traz a vida que vem de fora como um caixeiro viajante. Os rituais herdei da minha mãe na hora de dormir que observava tudo antes de fechar a casa.
Tenho orgulho deles, me deixaram coisas concretas da vida, como um saber, para pisar o chão desconhecido.
Busco isso nessa vida em transição.

sábado, 26 de outubro de 2013

Pensando a vida, a escola, a cidade e as lutas

Ando pensando o que poderemos fazer para radicalizar na situação da escola no Brasil.
Aqui falo da escola básica da criança bebê até o jovem adulto adolescente no fim do colegial, ou ensino médio como se chama hoje. Na Universidade ando fazendo aquilo que acredito, olho no olho com o aluno, de 1000 alunos que tive contato nesses quase cinco anos de trabalho, muito poucos não compreenderam esse processo, talvez não tivessem o traquejo social que a convivência em grupo exige. A escola exige olho no olho e conteúdo.
Muito se falou do espaço, da sala de aula lotada, dos professores e todos parecem ter uma fórmula mágica. Ontem vi uma chamada na TV de um programa dizendo que crianças aprendem melhor ao ar livre.
Então as escolas que subiram suas janelas para que as crianças não olhassem o exterior talvez estivessem totalmente erradas.
Acredito no professor, na sua capacidade de sedução sem autoritarismos.
Acredito no professor que passa aos alunos o respeito a eles nas pequenas atitudes como se eles pudessem ajudar a decidir como conduzir o aprendizado.
Não tenho formação em pedagogia, mas tenho formação em serviço público, onde se aprende o tempo todo a trabalhar em equipe.
Não há saída se não for assim.
É um ciclo que começa nas mãos de um e termina nas mãos de outro.
Talvez aí esteja o segredo da escola e da cidade, integrar as ações.
Não através de discursos, mas, com compartilhamento de decisões com os professores, os alunos, os gestores e os pais.
Compartilhar hoje virou uma palavra meio vazia devido ao seu uso nas redes sociais como se houvesse uma ação humana de olho no olho.
Nesse caso só serve para levar a informação e não a transforma.
Penso no Celso Furtado que dizia que o maior entrave ao desenvolvimento era a concentração de renda. Acho que seu pensamento ainda é atual.
Pergunto, os pais, os alunos, as ONGs, os gestores, estariam dispostos a acompanhar os professores da rede pública na sua luta pela escola e por salários dignos?
Não acredito na arquitetura escolar sem o diálogo com o professor. A escola sobrevive sem arquitetura, mas não sobrevive sem o professor.
A sombra de uma árvore às vezes pode ser uma bela sala de aula.
Ando pensando.....

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Cinema sempre com o Robert de Niro - Malavita

A Família - sessão sexta à noite

Não sabia nada sobre o conteúdo do filme, uma amiga me recomendou e disse que era com o Robert de Niro, era a senha para eu me interessar. Adoro sua atuação, brinco que seria o único homem mais velho que eu, com o qual me casaria.  Um policial de ritmo instigante, os atores jovens são ótimos e me pareceu uma grande homenagem a outros filmes com o tema da máfia. Além de tudo divertido.

Las Acacias - sessão domingo à noite

Filme bonito, mas um pouco lento para o meu ritmo, uma estória humana bem realista, de transformação de um homem solitário diante da meiguice de uma mulher. Argentino.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

O Blog, o mundo e a arquitetura

Tantas coisas permearam meu dia.
Desde sonhos de um mundo melhor, de um Brasil mais igual até meus anos de juventude.
Estou acabando o dia pensando nos meus filhos, seu futuro, seus sonhos.
Ouvindo músicas dos anos 60 tento aprender outra língua através da música.
Livros me aguardam no meu quarto para leituras sobre as "perdas necessárias", sobre as andanças de Anton Tchekov em Sacalina na Sibéria, sobre "a elegância do ouriço".
Vou devagar, acabei  de ler um livro de Maria Dueñas, "A melhor estória está por vir". Muitas estórias entrelaçadas e um capítulo final que me emocionou talvez por minha estória de vida.
Acabei algumas tarefas e preciso  respirar.
Sigo enfrentando outras e algumas para voos mais altos.
Sonho o tempo todo, mesmo quando a tristeza se acomoda ao meu lado me provocando.
Ando pensando em minha mãe e nos seus sonhos como mulher, sua família na frente de seus próprios sonhos.
Esse blog atingiu mais de 5000 visitas, sinto que as pessoas buscam delicadezas na vida, eu também.
De qualquer forma aqui deposito meus interesses e os compartilho. Procuro dizer daquilo que me encanta e que alimenta o meu conhecimento do mundo. Nem sempre a arquitetura satisfaz este desejo, ao contrário o conhecimento do mundo alimenta a arquitetura e o urbanismo. Como diz Anton Tchékov " um bom repórter tem que estar perto da realidade" com "um bom par de calçados e um caderno de anotações".

domingo, 8 de setembro de 2013

Drummond disse sobre Reidy algo que deixa a morte com gosto de elegância


Affonso Eduardo Reidy foi o arquiteto que projetou o MAM no Rio de Janeiro na década de 50.
Vi há alguns dias atrás um documentário, "Reidy a construção da utopia", realizado sobre sua vida e obra por Ana Maria Magalhães no canal de TV a cabo chamado Curtas! que aqui divulgo pelo excelente conteúdo que apresenta. Aprendi muitos fatos sobre esta obra e sobre o Aterro do Flamengo com os diversos depoimentos, principalmente o de Carmem Portinho. Mas o mais bonito foi ouvir o que Carlos Drummond de Andrade escreveu sobre a morte prematura do arquiteto com apenas 54 anos.
      Disse Drummond:

“A morte de Affonso Eduardo Reidy desperta-me antes de tudo uma sensação de coisa errada, fora de norma e ritmo. Como se ele, cedendo à modéstia, houvesse furado a fila dos mais velhos, que estavam na sua frente, para chegar primeiro. Reidy era a distinção, a finura em pessoa, não podia passar à frente de outros. Tinha um modo tão seu de trabalhar em discrição, como tantos outros trabalham em apoteose. Sua vida merecia ter sido longa e protegida dos males cruéis. E depois, apenas um cinquentão, ele tinha ainda muito que fazer por causa do muito que já fizera. Nós, usuários dessa criação, estamos sempre exigindo mais. Nada pedimos aos omissos e aos estéreis, mas de um sutil manipulador de forma e espaço, como Reidy, quanta coisa se podia esperar ainda!”

       Esse filme me atingiu como uma flecha lembrando que o homem deve deixar um legado para sua pátria, para seus filhos, para o futuro. Persigo esse caminho ainda com obstinação, não sei quando vou parar, mas, quero seguir o exemplo dos mestres que fizeram arquitetura com gentileza, sem arrogâncias.

  https://publicacoes.amigosdanatureza.org.br/index.php/rlaac_sustentabilidade/article/download/2996/2850 .