quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Os estudantes e a política sem medo na Universidade

Hoje fui assistir à cerimônia de posse do Centro Acadêmico João Mendes Junior da Faculdade de Direito da Universidade Mackenzie. Fui convidada pelo meu filho que faz parte da chapa eleita.
Foi uma cerimônia simples mas com muito significado para os jovens que se empenharam para ali estar.
O significado foi sendo preenchido com as falas dos diversos convidados à mesa.
O professor Alysson Mascaro, professor da USP,  e também do Mackenzie contou a história de Luiz Gama o primeiro estudante de direito negro a frequentar a São Francisco e expulso dessa faculdade pelos filhos da elite dominante à época.
E não foi à toa que o Professor Mascaro fez menção a este fato triste da história da USP e sua Faculdade de Direito. A diretora geral eleita, Tamires Gomes Sampaio, do Centro Acadêmico do Direito no Mackenzie é a primeira mulher negra a ocupar esse cargo nos sessenta anos de existência daquela entidade e rompendo barreiras a chapa conseguiu envolver um grande número de eleitores.
E mais do que isso uma jovem bolsista do Prouni, batalhadora.
Sinal de mudança no Brasil.
Uma mudança que custou muitas vidas e muitas lágrimas como disse o professor Mascaro alertando para o risco de o neoliberalismo  ainda não ter sido banido no Brasil.
Daí a importância dos jovens na política.
Os jovens da chapa eleita decidiram participar do processo politico da vida acadêmica, pois entenderam que não basta estudar sem estar em movimento junto com a realidade e a sociedade.
Mas o fato mais interessante que me chamou a atenção foi a relação entre a entidade estudantil e a escola, o fato de o diretor da escola, o professor doutor José Francisco Siqueira Neto prestigiar o evento e se colocar à disposição para o diálogo permanente, num clima de respeito mútuo.
O fato de os alunos serem tratados como o centro das atenções e sua atividade política não ser hostilizada pela instituição acadêmica e não impedir o compromisso dos jovens com estudo e futuramente poderem cumprir com sua função social.
Este exemplo me fez pensar que é preciso se recompor as relações da comunidade acadêmica na USP onde parece que há um esgarçamento dessas relações.
Gostei de ouvir do diretor do direito do Mackenzie, que mais alunos são sempre bem vindos.
Espera-se que mais jovens no Brasil tenham acesso ao ensino superior, com a devida responsabilidade da estrutura necessária para atender docentes e alunos, que se deseja mais professores educadores do que "aulistas", que as Universidades, principalmente as públicas cumpram seu papel no desenvolvimento nacional e não se transformem em ferramentas apenas para atender os interesses privados do mercado.

2 comentários:

  1. Bom dia Rosana, ontem quando eu li a matéria na Folha de São Paulo eu tive a mesma sensação do tempo .... que estamos passando por um processo de transformação , mesmo que minimo para os olhos da classe burguesa ... uma mudança de mentalidade, de postura .... uma jovem (mulher, negra, da periferia, pai militante) conseguiu quebrar barreiras sociais e deixar o machismo e o conservadorismo da sociedade brasileira de lado e ser eleita .... PARABÉNS!!! Fico mais feliz quando leio no seu blog q o Roque faz parte desse marco histórico ....e que a juventude esta cada vez mais se preocupando com o debate ... Jovens que lutam por mudanças e combatem as desigualdades sociais que assolam o território brasileiro e que se agravam com as politicas neoliberais de governos anteriores .... Esse fato nos permite refletir ... Como as politicas educacionais avançaram e como o acesso vem sendo redemocratizado ..... E que precisamos investir em educação .... PARABENS pelo matéria no blog ... Ate
    Pedro Henrique

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    1. Pedro que legal encontrar seu comentário, andava sem tempo de entrar no blog. Fico feliz de compartilhar algumas ideias com os amigos, alunos e pessoas queridas. De certa forma damos vasão aos sentimentos quando escrevemos. Obrigada por suas palavras.

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