quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Bienal, direitos civis, cidade e obra de arte



Caminhei durante quatro horas à deriva pela Bienal de artes no último sábado. Fazia alguns anos que não ia à Bienal de artes e fiquei com muito boa impressão na última que visitei. Uma obra me marcou na mostra visitada anteriormente, a de um artista chinês que fez um painel numa parede com aproximadamente quinze metros de comprimento, onde inúmeros quadros formando pares em que um quadro apresentava o desenho de uma pessoa que o artista desenhara o outro era um desenho sem muitas proporções, onde não havia dúvidas de que o artista pedira a seu modelo que o desenhasse. Os desenhos dos modelos eram mais rudimentares mas igualmente expressivos e bonitos como os do artista. Havia outro aspecto diferente da ultima Bienal, as telas apresentavam-se emolduradas e com um projeto claro de percurso a ser realizado pelo visitante.

O que vi de diferente nessa mostra foi a caminhada errante pelos espaços com os temas das lutas dos direitos civis, homossexualismo em diversos momentos da história da humanidade e nacionalidades diferentes, aborto, violência étnica, xenofobia, a guerra, a luta indígena, a violência nas mais variadas formas. E os jovens. Principalmente os jovens com seus anseios e a falta de perspectiva no mundo atual.

Vi vários filmes e áudios como expressão das tecnologias contemporâneas permeados por salas de pinturas e instalações cujos temas incluíam a educação, o meio ambiente e objetos tecnológicos ou de cunho artesanal. Os tecidos e batiks foram os desenhos mais bonitos que vi.


E dois vídeos em particular, um de um jovem rapper de Istambul dançando sobre as ruínas dos muros da época do Império Romano. Estive em Istambul em 1996 e conheci estas ruínas. Foi um dos passeios mais interessantes que já fiz. Sozinha, um pouco com medo, visitei a periferia urbana. Havia alguns conjuntos habitacionais de três ou quatro pavimentos e encontrei com alguns garotos que jogavam bola. Na Turquia pouco se fala inglês, mas esta era a língua possível de eu me comunicar, eu estava lá por causa da Conferência da ONU Habitat II.

Mas, não sei como comecei a conversar com os garotos e um deles me entendia um pouco e quando disse que era do Brasil eles se animaram, falamos de futebol e eles conheciam o Parreira que era técnico do time turco Fenerbahce e me contaram que eram da Romênia.

Eu sempre me surpreendi com a capacidade das crianças se comunicarem em outras línguas, principalmente os imigrantes. Tive uma experiência semelhante quando estudei alguns meses na Holanda e conversei com crianças marroquinas, que também entendiam um pouco do inglês.




Aqui também andei à deriva no texto como na Bienal, voltemos a ela então. O filme do  jovem rapper na verdade era um clipe com dança e cenas de violência policial e provavelmente a letra tratava disso pela agressividade na expressão do cantor e da exclusão social em que vivem os jovens no mundo capitalista e a paisagem de fundo era a cidade de Istambul cheia de suas contradições e suas mesquitas marcando a paisagem a partir da vista de suas ruínas. A cidade como obra de arte.




O outro filme interessante tinha o ritmo de uma peça teatral onde jovens atores russos questionavam sua existência e as respostas da sociedade sobre seus anseios. Os atores sentados num estúdio com uma pequena arquibancada faziam uma dança de expressões corporais e faciais enquanto um deles falava em uma das telas quase como que um depoimento. Eram três na sala. Numa delas um outro jovem olhava impávido, mudo ao expectador. Em uma das falas uma crítica ao governo de Putin. E lendo a notícia na internet de que o sistema público de educação e saúde da Rússia vai se privatizar começo a compreender algumas das falas. Todos os jovens homens e mulheres lindos e de variado tipo físico mostrando a composição multifacetada dos russos. Em um determinado momento do filme eles se referem à orelha da sociedade e solenemente dois deles entram na sala carregando uma enorme orelha de borracha. E concluem que a orelha da sociedade só os ouviria se eles falassem entre si. E assim começam alguns diálogos e uma movimentação corporal de diferentes formas e ritmos. Não assisti a todos os capítulos do filme, mas, confesso que fiquei curiosa sobre seu final e assistiria de novo para compreender todas as falas. Mas, tive que escolher e seguir meu percurso pela Bienal pois no dia seguinte se encerrava.


Algumas instalações pareciam ser de uma feira de ONGs, faixas com frases-denúncia e os comoventes depoimentos de mulheres que já fizeram aborto e lutam pela sua legalização.
Uma luta justa e que começa a ganhar o espaço da mídia infelizmente pela tragédia da morte de mulheres vítimas da pobreza que não podem pagar por aborto seguro.


Uma Bienal onde os processos de luta contra todos os tipos de violência no mundo foram a matéria prima de artistas de diferentes linguagens em que a decadência do capitalismo mostra-se no vazio da estrada sem rumo em que jovens vagueiam olhando para um muro.


Mais uma vez a obra de Niemayer participa da mostra com as surpresas que o edifício oferece a cada nova instalação.











sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Solidariedade e desenvolvimento

Impossível haver desenvolvimento sem solidariedade. Não é aceitável que alguém se ache melhor que outro porque estudou ou teve uma vida mais generosa devido a seus antecedentes.
Hoje conversei com uma pessoa que me ajuda, sobre o sentido que teve na nossa formação a privação na infância de alguns consumos e o rigor de princípios na divisão da comida entre irmãos realizada pela mãe. No uso de roupas usadas por irmãos mais novos pois os recursos não permitia a individualidade no consumo.
Concluímos que essa matriz nos deu garra para a vida, mas nos ensinou que se conquista aquilo pelo qual se luta, pelo caminho do esforço, do trabalho, e principalmente, que é possível viver com o essencial da vida. Nos ensinou a ver além da família, do núcleo da casa, e enxergar o mundo maior.
Nos ensinou a sermos solidários entre irmãos e com os vizinhos, os outros brasileiros.


Gostei de refletir sobre isso.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Domingo é dia de votar - eleições 2014 - eu tenho uma sugestão

ELEIÇOES 2014
Faltam só 3 dias para as eleições e a sociedade reclama muito do poder executivo, mas, esquece que o Congresso Nacional e as Assembleias Legislativas é que votam, aprovam e vetam as leis de interesse do povo. São os deputados federais, os senadores e os deputados estaduais que decidem a maior parte dos assuntos que nos afetam cotidianamente, além dos vereadores também em cada cidade.a
Parece óbvio, mas, quantas pessoas já escolheram seus candidatos de forma consci...ente e criteriosa?
 
Eu tenho uma sugestão.
 
Meus candidatos: para Deputado Federal Orlando Silva, 6565, jovem e experiente na administração pública e com coragem para lutar pelos interesses nacionais e dos trabalhadores, e para Deputada Estadual, Ana Martins 65611, uma mulher de luta que conheço há mais 20 anos que não esmorece nunca.

São Paulo precisa mudar, não pode mais continuar sem água, sem segurança e sem educação esse não é o espirito dessa terra de gente desbravadora.

Vou com Dilma, Padilha, Nivaldo Santana e Suplicy para que o Brasil aprofunde as mudanças necessárias para eliminar a concentração de renda que só atravanca nosso desenvolvimento.

Esse é o meu lado.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Os estudantes e a política sem medo na Universidade

Hoje fui assistir à cerimônia de posse do Centro Acadêmico João Mendes Junior da Faculdade de Direito da Universidade Mackenzie. Fui convidada pelo meu filho que faz parte da chapa eleita.
Foi uma cerimônia simples mas com muito significado para os jovens que se empenharam para ali estar.
O significado foi sendo preenchido com as falas dos diversos convidados à mesa.
O professor Alysson Mascaro, professor da USP,  e também do Mackenzie contou a história de Luiz Gama o primeiro estudante de direito negro a frequentar a São Francisco e expulso dessa faculdade pelos filhos da elite dominante à época.
E não foi à toa que o Professor Mascaro fez menção a este fato triste da história da USP e sua Faculdade de Direito. A diretora geral eleita, Tamires Gomes Sampaio, do Centro Acadêmico do Direito no Mackenzie é a primeira mulher negra a ocupar esse cargo nos sessenta anos de existência daquela entidade e rompendo barreiras a chapa conseguiu envolver um grande número de eleitores.
E mais do que isso uma jovem bolsista do Prouni, batalhadora.
Sinal de mudança no Brasil.
Uma mudança que custou muitas vidas e muitas lágrimas como disse o professor Mascaro alertando para o risco de o neoliberalismo  ainda não ter sido banido no Brasil.
Daí a importância dos jovens na política.
Os jovens da chapa eleita decidiram participar do processo politico da vida acadêmica, pois entenderam que não basta estudar sem estar em movimento junto com a realidade e a sociedade.
Mas o fato mais interessante que me chamou a atenção foi a relação entre a entidade estudantil e a escola, o fato de o diretor da escola, o professor doutor José Francisco Siqueira Neto prestigiar o evento e se colocar à disposição para o diálogo permanente, num clima de respeito mútuo.
O fato de os alunos serem tratados como o centro das atenções e sua atividade política não ser hostilizada pela instituição acadêmica e não impedir o compromisso dos jovens com estudo e futuramente poderem cumprir com sua função social.
Este exemplo me fez pensar que é preciso se recompor as relações da comunidade acadêmica na USP onde parece que há um esgarçamento dessas relações.
Gostei de ouvir do diretor do direito do Mackenzie, que mais alunos são sempre bem vindos.
Espera-se que mais jovens no Brasil tenham acesso ao ensino superior, com a devida responsabilidade da estrutura necessária para atender docentes e alunos, que se deseja mais professores educadores do que "aulistas", que as Universidades, principalmente as públicas cumpram seu papel no desenvolvimento nacional e não se transformem em ferramentas apenas para atender os interesses privados do mercado.

domingo, 7 de setembro de 2014

O sol do dia a dia

Sempre tomei sol. Desde que me tornei adolescente curtia tomar sol no quintal da minha casa no Campo Belo, quer dizer casa da minha mãe e do meu pai. Quando pude comprar um imóvel valorizei muito o espaço externo que serviu muito às brincadeiras do meu filho mais novo que só tinha três anos naquele momento, hoje ele está perto de fazer vinte e quatro anos. A casa pra mim era apenas um abrigo, um lugar de dormir e estudar. Hoje tenho passado muito do meu tempo em casa trabalhando mais do que antes, lendo, escrevendo e pesquisando.
E hoje desesperadamente senti falta do sol. O dia estava bonito e tinha o compromisso com alguns afazeres domésticos como abastecer a casa para a semana. Fiz isso cansada com essas tarefas, minha mãe tirava de letra tudo isso, organizada, tinha rotinas domésticas que mantinham a casa funcionando.
Consegui ficar ao sol por um tempo que me agradou.
Havia programado um almoço com meu filho onde hoje ele seria o Chef e eu a auxiliar de cozinha. Foi ótimo. Eu faço um arroz imbatível. Foi um almoço simples mas muito bom.
Um domingo para organizar a cabeça e a próxima semana, sem atividades externas.
Respirar e sentir o sol, uma rotina necessária. Mais uma que devo incorporar na vida.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Brasil X Alemanha, COPA 2014, o orgulho de ser brasileiro

Que pena! Só queria dar alegria ao meu povo, ver o a minha gente feliz, o meu povo feliz, peço desculpas. Foram as palavras de Davi Luiz. O melhor da seleção na minha opinião. Chorou sentido com a sinceridade de uma criança, com a sinceridade de um homem honrado que tinha uma missão e não conseguiu realiza-la.

Vibrei todos esses dias, com os jogos, com o melhor do futebol no mundo, com minha família, com meus filhos,  com as crônicas do Veríssimo no jornal, que alegria o futebol! Somos milhões de técnicos.


Fui a um jogo pelo menos, na Arena Corinthians ver Argentina e Suíça.
Foi um dia de muita alegria, o caminho, o povo na rua cumprimentando os argentinos na entrada e na saída do estádio, o Luiz Roque e a Sofia que me entusiasmam com seu amor pelo futebol desde pequenos, companheiros de longas jornadas. Vocês foram a alegria dessa Copa. Obrigada por me envolverem nesse clima tão vibrante.


A Copa trouxe alegria ao Brasil. Deu tudo certo, o Brasil mostrou sua competência ao mundo. Está dando tudo certo pois ainda temos três jogos maravilhosos pela frente. E os estrangeiros que aqui estão experimentando a nossa hospitalidade, nossa simpatia e nossa ginga na vida, não se cansam de manifestar seu carinho ao Brasil. Eles também nos ensinam que não se deve ter preconceitos. Alguns se sentam lado a lado aos trabalhadores nos restaurantes populares como li hoje no jornal noticia sobre o Rio de Janeiro, acampam no terreirão do samba e no sambódromo em São Paulo.


Espero que os que tiveram oportunidade de ir aos estádios quebrem seus conceitos e preconceitos e se sentem também lado a lado nas ruas e praças junto com outros brasileiros não tão privilegiados.


A Alemanha foi melhor hoje e a lição que fica foi o trabalho coeso, coletivo, sem estrelismos. Foram discretos, generosos entre si,  disciplinados e respeitosos  com os brasileiros.


Gosto de nossos craques, Neymar carismático como sempre foi a marca de nosso futebol. Ainda ganhará uma copa junto com o Brasil. O que eu sinto é a perda da oportunidade dessa alegria no Brasil, lado a lado com os brasileiros anônimos.


Espero que o Brasil saia dessa copa com mais força no esporte, educação e cultura, a nossa cultura mais popular das ruas. Eu aprendi muito nessa copa sobre o esporte. As copas do mundo sempre ensinam muito.


Fica a tristeza pela derrota em campo, mas, fica também a vitória de congraçamento entre os povos num país sem divisionismos, sem lutas étnicas e sem guerra.


Que venham os holandeses, argentinos e alemães! Estamos entre os melhores do mundo.









domingo, 16 de março de 2014

O parque que se quer no centro

Estudei no edifício do antigo Colégio Des Oiseuax quando lá funcionava o cursinho Equipe. O lugar era realmente muito agradável com aquele edifício antigo e suas árvores. Nos intervalos sentávamos nas suas escadarias para conversar, rir e comentar dos nossos sonhos futuros como arquitetos. Estudei dois anos lá pois não consegui entrar na USP no primeiro vestibular, e nem no segundo, pois oriunda de escola pública por melhor que fossem naquela época exigiam uma dedicação ao estudo para a qual não estava preparada ainda aos 16 anos.
E o lugar passou a fazer parte da minha intimidade na cidade.
Dali íamos ao bar do Zé comer o melhor misto quente que já comi na vida e assistíamos aos shows organizados pelo apresentador Serginho Groisman.
E assim acho que aquela parte da cidade contribuiu com minha formação. Passávamos em frente ao prédio da USP à rua Maria Antônia com aquele respeito por um lugar de luta já que vivíamos nos anos de chumbo da ditadura, 1972 e 1973.
Hoje a população do entorno luta por um parque urbano no local, já que o edifício do colégio foi demolido e o terreno vendido a incorporadores imobiliários. E a Prefeitura busca uma solução para o impasse diante do alto custo do terreno diante das inúmeras carências nas áreas periféricas. Há que se estabelecer prioridades com os recursos públicos.
Vejo esse problema como um projeto para a cidade onde se deve buscar uma solução tripartite e mediadora de interesses legítimos.
Ganha-se um parque, um equipamento público e habitações em parte da área.
Em Berlim no bairro de Hansaviertel, na década de 50, foram construídas uma série de habitações projetadas por  53 arquitetos renomados de todo o mundo ocidental convidados para realizarem os projetos, entre os quais o brasileiro Oscar Niemeyer, o dinamarquês Arne Jacobsen, o finlandês Alvar Aalto e o alemão fundador da Bauhaus, Walter Gropius.
A floresta do Tiergarten foi integrada ao projeto.
Esse projeto hoje constitui um parque de grande interesse turístico em Berlim por parte dos arquitetos do mundo inteiro, que convive pacificamente com este uso.
Evidente que o projeto para o Parque Augusta não poderia incluir torres de 18 ou 20 andares como o modelo adotado no mercado imobiliário paulistano. Pois isso exigiria um uso intenso de subsolo. Nem tão pouco edifícios com garagens já que estará no raio da futura estação Mackenzie do metrô.
E também não possui as dimensões do Parque de Berlim, mas o que importa é a discussão do conceito de parque que tem que se ampliar numa cidade como São Paulo.
Eu entendo a dificuldade da Prefeitura em priorizar recursos para uma área onde existe toda a infraestrutura urbana.
É como dizer que Copacabana precisa de mais espaço público. Poxa! O mar e a praia estão ali do lado, e assim o bairro pode ser tão denso. Mas o bairro tem uma escala agradável de edifícios baixos e praças marcando de tempos em tempos sua estrutura.
A situação ideal no caso do "Parque Augusta" assim chamado pelo movimento em sua defesa, seria termos só a área verde, uma arena cultural e uma creche que seria muito bem vinda para as crianças do entorno. Mas o custo da terra em São Paulo é muito alto no centro, portanto temos que encontrar uma solução alternativa e talvez a existência de habitações no local com unidades de vizinhança de pequena escala possa ajudar a cuidar do espaço.
E um bom começo seria um diálogo com os diversos envolvidos para a discussão das diversas possibilidades e também a solidariedade dos moradores dos bairros mais bem estruturados da cidade, que tem muito acesso à mídia, para com aqueles que não tem nada e vivem em áreas onde está tudo por fazer.
A proposta passa primeiro por um bom estudo de viabilidade econômica da aquisição do terreno e a construção da arquitetura do programa do projeto a ser desenvolvido e o modelo de gestão da área.  Isso não pode ser feito apenas como solução mágica dos arquitetos e sim de todos os envolvidos.





sábado, 15 de março de 2014

Transporte público na pauta do futuro da cidade - a polêmica dos corredores

O tema do transporte público não sai da pauta da cidade, da vida cotidiana, está na boca do povo.
E assim se fala das tarifas, do bilhete único, do bilhete mensal, da integração, dos terminais de transferência, do tempo de espera, do ponto de ônibus, da faixa do ônibus, do táxi, do automóvel financiado, do metrô e dos trens lotados.
Todos se envolvem com a questão. Isso no mínimo indica que essa é uma questão estratégica na vida das pessoas que vivem e trabalham em São Paulo e em outras cidades também, de maneira variada mas não menos importante.
Mas, no caso de São Paulo, o tema ganha dimensão pelas longas distâncias a serem percorridas entre casa e trabalho, casa e escola e casa e lazer.
A proposta de construção de corredores exclusivos para os ônibus pode resolver parcialmente o problema mas se mostra limitada na medida em que reproduz o uso do transporte sobre pneus e provoca um grande impacto de desapropriações de imóveis para alargamento das vias onde serão construídos os corredores.
Perde-se assim a oportunidade de recolocar a opção do transporte sobre trilhos de média capacidade, que daria uma outra cara para São Paulo utilizando o mesmo sistema viário já existente. Já tivemos 150 km de traçado de linhas de bondes.
O custo evidentemente da construção de linhas do transporte elétrico na fase de implantação é mais caro do que a obra dos corredores em si, mas, se o impacto das desapropriações  e seus custos são tão grandes e começa a criar reações pela cidade é hora de se rever a proposta da Prefeitura e construir uma proposta alternativa com visão de longo prazo com transporte sobre trilhos em parte dos traçados, como na Avenida 23 de Maio, ou em um terço de toda a rede nas vias com largura menor, diminuindo as desapropriações, como um efeito demonstração para o futuro.
Um futuro de uma cidade menos poluída, mais silenciosa e mais calma, onde se poderá aprecia-la naquilo que ela tem de beleza.

sexta-feira, 14 de março de 2014

As mulheres jovens da cidade

Lutam todos os dias pelas ruas da cidade.
Correm com as tarefas domésticas.
Correm para trabalhar.
Lutam para educar os filhos.
Lutam para proteger a família transformada nos dias de hoje.
São as mães e os filhos superando desafios.
São as mães mulheres lutando pelo seu sustento.


São as mulheres que superam as tristezas e decidem pela alegria de viver.
Minha mãe dizia que criamos os filhos para o mundo.
Mas só consegue esse desprendimento quem vê seu filho seguro, independente e com autonomia,
a autonomia de decidir.
Isso se constrói com a liberdade de expressão, com a exposição dos conflitos e diálogo entre gerações, sem preconceitos, acompanhando as mudanças do mundo e com o companheirismo dos homens.


As mulheres tem força para o trabalho, para os filhos e para a luta.


Falta a liberdade  no espaço onde vivem.
Liberdade para circular.
Respeito e paz nos ônibus, nos trens, nos bares, nas festas ou nos espaços públicos.
Saúde durante sua juventude.
Escolha quanto à sua maternidade.


Igualdade significa decidir livremente e ser respeitada em suas decisões.
O dia das mulheres é internacional, as questões femininas estão nos países pobres e ricos, um dia de luta pois há muito por mudar e fazer.






















quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Patrimônio e meio ambiente – o custo de intervenções conscientes


               Dois temas da atualidade no Brasil e no mundo tem sido objeto dos embates entre desenvolvimento e preservação do patrimônio histórico e do meio ambiente.
               Os conflitos surgem do alto grau de urbanização que chegaram as sociedades contemporâneas. Decorrente desse processo encontra-se a necessidade de infraestrutura e crescimento econômico para atender as demandas por serviços e o anseio das comunidades por recuperar sua identidade com os seus “lugares” de viver.
                No caso do meio ambiente fala-se em um aumento de 30% no custo das obras de proteção contra os impactos ambientais provocados por elas.
                Evidentemente, esta cifra não pode ser generalizada, pois, orçamentos de obras são elementos específicos condicionados ao detalhamento das condições locais, preço de mão de obra, acesso a materiais, e particularmente dos projetos.
                Deve-se ainda descontar o ônus gerado pela prática dos governos de licitar obras sem os respectivos projetos executivos que visam prever todos os detalhes necessários e os custos cujo próprio nome já diz, de executar as obras.
                 Se eliminarmos os fatores que geram um adicional aos custos das obras, mesmo assim as exigências ambientais vão aumentar seus custos. Para que este impacto não gere a ideia distorcida que a preservação ambiental atrapalha o desenvolvimento é necessário que os governantes e os empresários valorizem a prática de planejamento e de elaboração de projetos com a antecedência exigida para adequar os projetos ao meio ambiente de cada localidade, dentro de um conceito abrangente que inclua as populações envolvidas.
                 O problema da preservação do patrimônio histórico exige também uma abordagem abrangente que envolva o patrimônio construído e o imaterial que inclui a memória das comunidades quanto a vivencia, quanto à paisagem e aos usos que ela deseja verem preservados.
                As cidades de um modo geral guardam relíquias construídas que significam muito para seus moradores, pois os remetem a tempos áureos da formação e vitalidade do seu momento de fundação ou de grande pujança econômica.
                Nas metrópoles, há um sentimento semelhante, pois a velocidade de mutação da paisagem faz com que o crescimento do sentimento de perdas afetivas se expresse às vezes de maneira subjetiva, às vezes com a defesa de bens construídos sem muita certeza do que podem significar. Nesse caso, às vezes preservar a paisagem significa um anseio por um retorno a uma vida gregária que a excessiva verticalização urbana afasta cada vez mais das comunidades.
                Novamente aqui se coloca o problema do planejamento e do projeto. Nem tudo pode, deve ou merece ser preservado numa metrópole que possui gigantescos problemas de infraestrutura, serviços e habitação. Mas, há um grande potencial ocioso, fruto da dinâmica econômica e empobrecimento, sendo necessária a identificação dos espaços com os quais a sociedade se identifica para incluí-los no processo de desenvolvimento, planejamento e crescimento das cidades.
                É o custo de reconquistar a integração do tecido social urbano, humanizar a cidade e acabar com o “apartheid” entre bairros, populações, trabalhadores e governantes. Assim mudaria o conceito do que é uma obra cara.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Arraial do Cabo um pedaço de beleza do Brasil

Estive em Arraial do Cabo por uma semana com minha filha. Há muito tempo queria conhecer este lugar, mas sempre alguma mudança de planos ou a  acomodação da vida não permitia.
Fui dessa vez no susto, como se diz. Havia visto umas fotos na internet e fiquei maravilhada com a cor do mar. Adoro o mar mesmo não sabendo nadar. Decidi que minhas férias passariam por aquelas praias num lampejo do olhar sem saber que já havia decidido. Queria descansar na beira do mar, num mar em que eu pudesse entrar e brincar na água sem medo. Se fosse sozinha iria para minhas conhecidas praias paulistas do litoral norte, que sempre me acolhem no verão. Mas, por sorte minha filha conseguiu umas férias no mesmo período que eu, duas professoras exauridas pelo trabalho precisando de descanso.
Foi um prazer essa viagem. Em dois dias já havia resolvido tudo e assim fomos. Desisti do carro na última hora e não me arrependo. Passamos sete dias andando à pé, olhando a cidade, escolhendo a praia do dia, brincando, rindo e conversando entre nós e com quem puxasse conversa.
Comemos peixe, todos os dias e o melhor de tudo foi o passeio de barco para conhecer três praias e a Gruta Azul. Nunca vi nada igual. Tive medo em alguns momentos do barco enfrentando as ondas numa pequena baía entre o continente e a ilha do Farol com uma corrente de vento. Mas, a grande surpresa foi chegar no mar aberto com calmaria e poder olhar cada rocha, a vegetação e o mar que me atraía o tempo todo. Vimos a baleia ao longe, tartarugas nos acompanhando e os cardumes quase à beira d´água acossados pelas gaivotas famintas. Vi as diferentes tonalidades de azul e só pensava que queria poder desenhar aquilo que via. Então fotografei  muito, tentando reter aqueles momentos. Brincamos muito com as fotos para depois curtirmos.
Quando vi a gruta Azul fiquei extasiada com uma sensação de paz e agradecida aos dois jovens barqueiros que nos levaram com segurança e mostraram com orgulho aquela paisagem. Um pedaço do Brasil de calmaria e beleza, uma semana que pareceu um tempo mais longo de tanto encher os olhos e poder percorrer os caminhos com calma e boa companhia. Nos momentos finais um por do sol e a pesca artesanal mostraram a natureza e a cultura que emolduram a vida local.