segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

NATAL

Enfim o Natal passou, cada Natal é como ultrapassar a barreira do som.
Um momento de alegria após muito estresse. A lembrança dos que não estão mais ocupa muito espaço nesta época mais do que em outros momentos, mesmo quando a religiosidade não é o centro da festa.
Sempre haverá festa nesta época junto aos meus, mesmo que em algum dia não seja eu a articular. Uma mordida do cão me deixou uma pequena dor, mas, há outras muito maiores e indescritíveis.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Cidade e estudantes - um rito de passagem

Uma pressão sobre a juventude, a hora do vestibular.
Impossível não sofrer com eles. Há muita esperança em jogo, e a auto estima de se tornar adulto e um ser ativo socialmente parece que está ligada a esta passagem. A cidade parada na porta dos colégios e faculdades por um trânsito especial fora da rotina do domingo. Queria poder dizer aos jovens, não tenham pressa. A vida já é muito apressada. A cidade também. Mas, os que dependem de um passo adiante para ajudar a família têm pressa e com razão. É preciso devolver à juventude todo o tempo do mundo, tempo de aprender, de estudar, de conversar na madrugada, de namorar, de ver as estrelas, de ver o nascer do sol, de gargalhar sem a pressão do trabalho. Há um tempo certo para o trabalho. Talvez um dia não precisemos mais do vestibular. Nos meus dezessete anos não havia outro caminho.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Cinema

O amor não tem fim
A pele que habito
Pronto pra recomeçar
O garoto de bicicleta
Se não nós, quem? -

domingo, 20 de novembro de 2011

Ópera "A Valquíria" e o Teatro Municipal

Eu e meus filhos fomos ontem ao Teatro Municipal ver a ópera "A Valquíria". Uma programação de cinco horas e meia, as quais nem percebemos passar. Saímos com grande admiração pelo espetáculo. Mas, vou falar do teatro, pois sobre a ópera sou apenas apreciadora e aprendiz. Queria falar do orgulho de ver o teatro restaurado. Orgulho da equipe da Prefeitura de São Paulo, principalmente da Cássia e da Rafaela que eu vi nos últimos dois anos de convivência, acompanharem de perto a obra e decidir passo a passo as intervenções  de restauração do teatro de Ramos de Azevedo. O teatro é uma cena à parte neste espetáculo e em muitos momentos da iluminação, o seu espaço era o próprio cenário. Os desenhos no teto, nos balcões e na galeria onde nós estavamos criavam a atmosfera essencial para a obra de Richard Wagner. Foi a primeira vez que assisti à uma ópera, uma grande "estréia", e aprendi sobre mais um prazer que posso usufruir de São Paulo, além do cinema.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Ouro Preto em 11-07-2004

Ouro Preto impressiona pela harmonia com a natureza, com as montanhas e a topografia. No entanto, as ruas da cidade, nesta ocasião, estavam muito sujas. Quem se oferecia como guias, não eram jovens ou crianças e sim homens mais velhos, com rosto abatido, queimados de sol entre 25 e 30 anos, da mesma faixa etária dos ambulantes de São Paulo. O casario é lindo, de uma arquitetura simples mas com riqueza de detalhes nas janelas , nos telhados e das diferentes torres das igrejas. A Praça Tiradentes encontrava-se "estressada", um palco muito grande encobria a entrada do Museu da Inconfidência. Tudo estava muito sujo na Praça, inclusive o museu. Mas, o peso da história, alí, nos objetos do período da Inconfidência Mineira prendem nossa atenção e dá vontade de estudar cada um deles. Alguns deles já conhecia, como a lamparina de azeite igual a uma que meu pai possuía, e por isso me lembrei dele. Emociona ler a sentença contra Tiradentes, e também revolta. O peso da Igreja está em tudo. A maior parte dos monumentos e museus são igrejas. Parece que a igreja está muito colada na riqueza vinda da exploração do ouro. Aprendemos no Museu das Minas, que a economia do Ouro Preto não se baseia no turismo, como aparentemente  se pode pensar ao encontrar turistas franceses, italianos e brasileiros de outros estados. O emprego aqui está na exploração do minério de ferro pela Vale do Rio Doce associada a uma empresa japonesa. Outros minérios explorados são o quartzo e a hematita. As pedras do museu são maravilhosas. É o segundo maior do mundo. O primeiro é holandês e fica em Amsterdam. As visões da cidade pelas janelas do museu são lindas, mas não se pode fazer fotos. No Museu do Oratório, que é muito bem conservado, a exposição é de alto nível, é possível conhecer a história dos oratórios e os diversos tipos existentes. Deu orgulho de ser brasileira, o cuidado com este museu. A praça da Igreja Nossa Senhora do Carmo e do museu formam um conjunto harmonioso num platô logo atrás da Praça Tiradentes. De lá é possível observar a cidade na direção sudoeste. Os detalhes mais bonitos são os muros de arrimo que arrematam os conjuntos construídos, as escadarias que complementam as calçadas e as muretas  ao redor de igrejas e praças. Do lado oeste, dois rios cortam a cidade a partir da via de acesso à cidade onde se localiza a rodoviária, cuja implantação é bem ajustada à topografia. A Casa da Ópera foi o primeiro teatro sulamericano, é de 1770, de extrema simplicidade, se implanta no terreno como se já estivesse alí junto com a topografia entre a rua de baixo e a rua de cima. A cor das edificações é branca, o colorido está nas molduras das janelas, na cor das telhas, das portas e das pedras das ruas, dos páteos, das escadarias. As varandas são balcões. No sábado à noite houve um show e a cidade ficou cheia na Praça Tiradentes. Nas ruas, a maioria parecia ser da população jovem de Ouro Preto e vizinhança. A cidade não parece ter uma classe média numerosa. Talvez os donos de hotéis e do comércio não morem aqui, pois só se vê os empregados em pousadas e restaurantes, de um modo geral, todos muito educados e acolhedores, flexíveis nas informações e no atendimento. Fui com meus filhos, foi uma bela viagem, mais um pedaço do Brasil.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Liberdade de expressão e crítica

Universidade, um lugar de liberdade de expressão e crítica, sem as quais não haveria criatividade para a cultura e para a ciência.

Filme: O amor não tem fim

"O amor não tem fim" traz novamente a temática tão atual do envelhecer. Um filme muito divertido com Izabela Rosselini e William Hurt. Um arquiteto que não aceita envelhecer. Genial a reação dos idosos dizendo o que ainda querem fazer.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Cinema aos domingos - Em casa para o Natal

Fui ao cinema hoje com uma amiga querida dos tempos de fau. Vimos Em casa para o Natal. Um filme cheio de dramas e melancolias no dia de Natal. Muito bonito onde os conflitos etnicos e religiosos fazem um dos panos de fundo. A expressão contida dos sentimentos dos povos nórdicos europeus mostra um lado diferente da nossa cultura. Uma pequena cidade da Noruega é o local onde várias estórias se entrelaçam e vão se descortinando delicadamente.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Belo Horizonte II

Belo Horizonte tem um vento gostoso igual ao de Campinas. Hoje arrisquei um giro à noite. Fui ao cinema ver o filme do Almodovar. Ele é um louco mesmo. Há muita coisa que é difícil entender mas a fotografia, cenários e objetos são parte da essência da história e o vermelho é sangue e cenário. Há cenas que parecem quadros de pintura a óleo. E Toledo eu conheci há quinze anos atrás, onde se passa a principal locação do filme.
Antes de Almodovar, outro prazer, conhecer a Casa de Baile e o Cassino, ambos na Pampulha e projetados por Niemeyer, a Igreja de São Francisco já havia conhecido com o Professor Cláudio Gomes em 1996 quando viemos a Belo Horizonte para a Conferência preparatória do HABITAT II,  hoje ela estava fechada. Mas o Cassino me lembrou a Casa de Vidro da Lina Bo Bardi.
Antes da Pampulha houve um debate sobre conceito de patrimônio documental muito interessante na UFMG com a presença do Professor Carlos Lemos que nos presenteou com sua presença e intervenções na platéia. Este seminário está sendo muito útil para minha pesquisa sobre EDIF.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Belo Horizonte I

Belo Horizonte, um ritmo diferente. São Paulo nos solicita o tempo todo. Mesmo com os grandes problemas urbanos, o ritmo é diferente. A cidade mais horizontal nas cercanias da Pampulha. A lagoa é linda, um belo parque, o perímetro soma dezenove quilômetros segundo um motorista de taxi. Juscelino quem fez segundo ele, um orgulho na voz. Sabia quem era Niemeyer e quais eram suas obras. A arquitetura é de domínio popular na Pampulha. Interessante isso, orgulho das obras do arquiteto e dos azulejos de Portinari. Hoje pude observar melhor o novo centro administrativo de Niemeyer. Os edifícios de vidro escuro formam um belo par, acompanham a curva do lago, não sei se artificial. Os outros dois edifícios parecem um pouco descolados do conjunto envidraçado, mas talvez eu deva olhar cuidadosamente. De qualquer maneira, uma observação superficial a partir da visão do ônibus do aeroporto. Mas, é assim que a cidade é, para ser observada por quem passa, antes de ser vivida. Mas, desta vez gostei mais do que a primeira visão do ano passado. Não me importo de mudar o olhar sobre a arquitetura. O olho ve coisas novas a cada tempo.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Hábitos

Hora do sono, me disseram uma vez que resistimos a dormir por medo da morte. Talvez seja verdade, quem sabe? Gosto  do silêncio da noite, é um momento de descanso das solicitações da alma, de colocar os assuntos no lugar. Momento de respirar e sonhar acordada. Gosto da segunda-feira, principalmente quando há sol.

Livros em 2011

O sonho do Celta - Mario Vargas Llosa
A paixão segundo GH - Clarice Lispector
A passagem do meio  - Hollis, James
Moça do brinco de Pérola - Tracy Chevalier
O Azul da Virgem _ Tracy Chevalier
A dama e o Unicórnio - Tracy Chevalier
Travessuras da Menina Má - Mario Vargas Llosa
Meu filho, minha filha - Fabrício  Carpinejar
A trégua - Mário Benedetti
Perdas Necessárias - Judith Viorst
Retrato do Artista quando coisa - Manoel de Barros
Menino do Mato - Manoel de Barros

domingo, 23 de outubro de 2011

São Paulo e a juventude

A cidade amanheceu ensolarada. Milhares de jovens se deslocando para fazer o ENEM. Muita esperança por uma nova vida universitária. Hoje estudar significa ferramenta para um novo posto de trabalho. É preciso recuperar o espírito de acessar a Universidade também para o acesso à cultura geral. Esta é uma porta que quando se abre para o jovem, não há mais limites para o despertar para o conhecimento. Uma espiral de encantamentos. 

domingo, 16 de outubro de 2011

Dia do professor

Meu dia, da minha filha e de muitos e bons amigos. O Brasil não seria nada sem o professor. O Brasil só será tudo com o professor que está em todos os lugares. Li na internet uma entrevista da artista plástica Renina Katz, minha professora na FAU nos anos 70, onde ela dizia que no Brasil quem sabe alguma coisa deve ensinar. Hoje não guardo conhecimento só pra mim, passo adiante tudo o que sei e quando não sei ajudo a pesquisar. Obrigada a meus professores.
Durmo tarde. Fico arrumando os pensamentos, a casa, os livros, me organizando para um novo dia. Gostaria de fazer isso pela manhã, mas, não consigo.
Velhos hábitos difíceis de largar. Mas, a vida nova me chama para novos modos de fazer a vida. Meses não são nada diante de uma vida inteira.

sábado, 15 de outubro de 2011

Em 24/05/2011 O metrô em Higienópolis e a cidade distante que não quero ver
Em 1/08/2008 Cidades brasileiras- Humanização e os caminhos para a Reforma Urbana
Em 20/04/2011 -Quando as chuvas param é hora de cuidar das enchentes
Em 14/04/2011 Expandir o transporte público em SP com visão estratégica
Em 23/05/2007 Bairro da Luz: investir para preservar ou preservar e também investir
Em 30/03/2011 Copa 2014 - visão estratégica pode superar atrasos

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Cidade e gestão

Há um desafio ainda a ser enfrentado no Brasil sobre o território das Regiões Metropolitanas, sua gestão, seus problemas e soluções.
O Brasil vem mudando o rumo de seu desenvolvimento, o projeto neoliberal ficou para trás e o crescimento traz um novo sentimento de otimismo no povo brasileiro. Jovens que antes, se quer tinham acesso ao curso superior, hoje se formam engenheiros, professores, arquitetos.
Mas, apesar desse esforço de retomada do crescimento econômico, permanecem os grandes problemas de infra-estrutura, de habitação, de transportes, de saneamento e da educação básica e da saúde.
As regiões metropolitanas concentram os maiores índices de carências e alguns aspectos da nossa tradição democrática ao invés de ser um benefício atrasam a solução dos problemas mais graves.
No Japão, as Prefeituras são instâncias de caráter regional e não municipal. O município existe, mas, o governo tem estudado a modificação da configuração do sistema municipal para considerar como município, aglomerações urbanas acima de cinqüenta mil habitantes, como forma de racionalizar as estruturas públicas para resolver os problemas.
Talvez, no Brasil nem se possa falar em reduzir o número de municípios devido a nossa tradição política, mas, a autonomia de suas competências administrativas deveria ser seletiva. Certas políticas públicas deveriam ser equacionadas por instâncias regionais com acento dos representantes municipais, mas, com a autonomia, orçamento e estrutura gerencial próprias com hierarquia superior ao ente municipal.

SP 24/10/2009.
Rosana Miranda.

Vermelho

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Venho de uma formação em que o trabalho se colocava como a única alternativa, o trabalho ou o estudo. Agarrei todas as oportunidades, mesmo sem compreendê-las e muitas vezes sem ser exatamente o que eu queria. Só um lugar foi escolhido por querer. EDIF. Lá eu fazia o que mais gostava, desenhava, projetava, mas o que mais me interessava era o desenho. Adoro desenhar e olhar o resultado. Fui também para a Holanda (2000) e a Machu Pichu (2006) que eram dois sonhos de juventude.
Hoje desenho minha mãe toda vez que vou vê-la. Tento captar seu olhar, seu semblante, sua alegria, sua idade e ainda não consigo. Às vezes consigo ver o seu olhar. Ela posa para eu desenhar e parece que me entende e depois eu mostro o desenho para ela.
A FAU também me dá muito prazer, pois lá construí minha formação principal e parece uma segunda casa, principalmente pelos alunos. Os identifico, me vejo em cada um deles, um pouco irreverente, um pouco tímida, um pouco indisciplinada, um pouco responsável demais pelos temas sociais, pelos trabalhos, interessada no que posso dar a eles assim como me interessava quando um professor nos respeitava sem arrogância.

sábado, 1 de outubro de 2011

Filmes em 2011

Vou muito ao cinema. É um lazer solitário que não nos solicita como o teatro. É quase como um livro de ficção, um pouco mais rígido talvez, pois o livro é diferente para cada um que o lê. A imagem de cada um nunca é igual. No cinema os olhos só vêem o que está na tela. Isto não quer dizer que nossa imaginação não voa durante o filme, mas a história está ali, como  o diretor quis que a víssemos. O prazer vem de várias formas, pela fotografia, pela luz, os  atores, os lugares, o som, da própria estória. A possibilidade igual a do livro de ver-reler mais de uma vez. Este ano assisti alguns filmes duas vezes. Árvore da vida, O ciúme mora ao lado, Você vai encontrar o homem dos seus sonhos, Midinight Paris, Tudo vai dar certo. Nem todos foram tão interessantes como da primeira vez. Alguns filmes mais velhos como Entre os Muros da Escola, Um lugar chamado Notthing Hill, O Poderoso Chefão, Minha vida de cachorro, são filmes que gosto de assistir e vejo coisas que não havia reparado.

Você vai encontrar o homem dos seus sonhos - esclarecedor sobre a meia idade
O ciúme mora ao lado
Biltiful - sofrido e mostra como as pessoas não estão de um lado só
Tudo vai dar certo
O discurso do rei
O primeiro que disse
Homens e Deuses - recomendo, um dos melhores
Melancolia - o melhor de todos
Árvore da vida - junto com Melancolia faz a gente pensar sobre o sentido da vida
Midinight Paris
Minhas tardes com Margueritte
Um Conto Chinês - muito bom, veria de novo
Medianeras - para arquitetos e jovens, bela fotografia
Mamute
Potiche - Esposa troféu
Amor?
Além da Estrada
Um bom coração
Um sonho de amor
Doce mentira - recomendo , divertido
Meu país
A criança da meia noite
Copacabana
Em casa para o jantar
O amor não tem fim
A pele que habito
Pronto pra recomeçar
O garoto de bicicleta
Se não nós, quem? - Filme muito bom sobre a década de 60 na Alemanha e os grupos políticos extremistas. Como cinema, como história, comovente.
Inquietos - lindo filme sobre a juventude, a vida e as perdas