domingo, 16 de março de 2014

O parque que se quer no centro

Estudei no edifício do antigo Colégio Des Oiseuax quando lá funcionava o cursinho Equipe. O lugar era realmente muito agradável com aquele edifício antigo e suas árvores. Nos intervalos sentávamos nas suas escadarias para conversar, rir e comentar dos nossos sonhos futuros como arquitetos. Estudei dois anos lá pois não consegui entrar na USP no primeiro vestibular, e nem no segundo, pois oriunda de escola pública por melhor que fossem naquela época exigiam uma dedicação ao estudo para a qual não estava preparada ainda aos 16 anos.
E o lugar passou a fazer parte da minha intimidade na cidade.
Dali íamos ao bar do Zé comer o melhor misto quente que já comi na vida e assistíamos aos shows organizados pelo apresentador Serginho Groisman.
E assim acho que aquela parte da cidade contribuiu com minha formação. Passávamos em frente ao prédio da USP à rua Maria Antônia com aquele respeito por um lugar de luta já que vivíamos nos anos de chumbo da ditadura, 1972 e 1973.
Hoje a população do entorno luta por um parque urbano no local, já que o edifício do colégio foi demolido e o terreno vendido a incorporadores imobiliários. E a Prefeitura busca uma solução para o impasse diante do alto custo do terreno diante das inúmeras carências nas áreas periféricas. Há que se estabelecer prioridades com os recursos públicos.
Vejo esse problema como um projeto para a cidade onde se deve buscar uma solução tripartite e mediadora de interesses legítimos.
Ganha-se um parque, um equipamento público e habitações em parte da área.
Em Berlim no bairro de Hansaviertel, na década de 50, foram construídas uma série de habitações projetadas por  53 arquitetos renomados de todo o mundo ocidental convidados para realizarem os projetos, entre os quais o brasileiro Oscar Niemeyer, o dinamarquês Arne Jacobsen, o finlandês Alvar Aalto e o alemão fundador da Bauhaus, Walter Gropius.
A floresta do Tiergarten foi integrada ao projeto.
Esse projeto hoje constitui um parque de grande interesse turístico em Berlim por parte dos arquitetos do mundo inteiro, que convive pacificamente com este uso.
Evidente que o projeto para o Parque Augusta não poderia incluir torres de 18 ou 20 andares como o modelo adotado no mercado imobiliário paulistano. Pois isso exigiria um uso intenso de subsolo. Nem tão pouco edifícios com garagens já que estará no raio da futura estação Mackenzie do metrô.
E também não possui as dimensões do Parque de Berlim, mas o que importa é a discussão do conceito de parque que tem que se ampliar numa cidade como São Paulo.
Eu entendo a dificuldade da Prefeitura em priorizar recursos para uma área onde existe toda a infraestrutura urbana.
É como dizer que Copacabana precisa de mais espaço público. Poxa! O mar e a praia estão ali do lado, e assim o bairro pode ser tão denso. Mas o bairro tem uma escala agradável de edifícios baixos e praças marcando de tempos em tempos sua estrutura.
A situação ideal no caso do "Parque Augusta" assim chamado pelo movimento em sua defesa, seria termos só a área verde, uma arena cultural e uma creche que seria muito bem vinda para as crianças do entorno. Mas o custo da terra em São Paulo é muito alto no centro, portanto temos que encontrar uma solução alternativa e talvez a existência de habitações no local com unidades de vizinhança de pequena escala possa ajudar a cuidar do espaço.
E um bom começo seria um diálogo com os diversos envolvidos para a discussão das diversas possibilidades e também a solidariedade dos moradores dos bairros mais bem estruturados da cidade, que tem muito acesso à mídia, para com aqueles que não tem nada e vivem em áreas onde está tudo por fazer.
A proposta passa primeiro por um bom estudo de viabilidade econômica da aquisição do terreno e a construção da arquitetura do programa do projeto a ser desenvolvido e o modelo de gestão da área.  Isso não pode ser feito apenas como solução mágica dos arquitetos e sim de todos os envolvidos.





sábado, 15 de março de 2014

Transporte público na pauta do futuro da cidade - a polêmica dos corredores

O tema do transporte público não sai da pauta da cidade, da vida cotidiana, está na boca do povo.
E assim se fala das tarifas, do bilhete único, do bilhete mensal, da integração, dos terminais de transferência, do tempo de espera, do ponto de ônibus, da faixa do ônibus, do táxi, do automóvel financiado, do metrô e dos trens lotados.
Todos se envolvem com a questão. Isso no mínimo indica que essa é uma questão estratégica na vida das pessoas que vivem e trabalham em São Paulo e em outras cidades também, de maneira variada mas não menos importante.
Mas, no caso de São Paulo, o tema ganha dimensão pelas longas distâncias a serem percorridas entre casa e trabalho, casa e escola e casa e lazer.
A proposta de construção de corredores exclusivos para os ônibus pode resolver parcialmente o problema mas se mostra limitada na medida em que reproduz o uso do transporte sobre pneus e provoca um grande impacto de desapropriações de imóveis para alargamento das vias onde serão construídos os corredores.
Perde-se assim a oportunidade de recolocar a opção do transporte sobre trilhos de média capacidade, que daria uma outra cara para São Paulo utilizando o mesmo sistema viário já existente. Já tivemos 150 km de traçado de linhas de bondes.
O custo evidentemente da construção de linhas do transporte elétrico na fase de implantação é mais caro do que a obra dos corredores em si, mas, se o impacto das desapropriações  e seus custos são tão grandes e começa a criar reações pela cidade é hora de se rever a proposta da Prefeitura e construir uma proposta alternativa com visão de longo prazo com transporte sobre trilhos em parte dos traçados, como na Avenida 23 de Maio, ou em um terço de toda a rede nas vias com largura menor, diminuindo as desapropriações, como um efeito demonstração para o futuro.
Um futuro de uma cidade menos poluída, mais silenciosa e mais calma, onde se poderá aprecia-la naquilo que ela tem de beleza.

sexta-feira, 14 de março de 2014

As mulheres jovens da cidade

Lutam todos os dias pelas ruas da cidade.
Correm com as tarefas domésticas.
Correm para trabalhar.
Lutam para educar os filhos.
Lutam para proteger a família transformada nos dias de hoje.
São as mães e os filhos superando desafios.
São as mães mulheres lutando pelo seu sustento.


São as mulheres que superam as tristezas e decidem pela alegria de viver.
Minha mãe dizia que criamos os filhos para o mundo.
Mas só consegue esse desprendimento quem vê seu filho seguro, independente e com autonomia,
a autonomia de decidir.
Isso se constrói com a liberdade de expressão, com a exposição dos conflitos e diálogo entre gerações, sem preconceitos, acompanhando as mudanças do mundo e com o companheirismo dos homens.


As mulheres tem força para o trabalho, para os filhos e para a luta.


Falta a liberdade  no espaço onde vivem.
Liberdade para circular.
Respeito e paz nos ônibus, nos trens, nos bares, nas festas ou nos espaços públicos.
Saúde durante sua juventude.
Escolha quanto à sua maternidade.


Igualdade significa decidir livremente e ser respeitada em suas decisões.
O dia das mulheres é internacional, as questões femininas estão nos países pobres e ricos, um dia de luta pois há muito por mudar e fazer.