terça-feira, 31 de dezembro de 2013

6000 é um número bonito

6000 visitas no último dia do ano é algo gratificante. Identidade que se encontra via internet.
Talvez seja uma boa conquista nesse aspecto divulgar ideias que encontram eco em algum lugar. Não tenho pretensões por essa via, apenas escrever e deixar registrado aquilo que me toca. Sentimentos, olhares e reflexões. Um bom ano certamente eu terei em 2014. Desejo o mesmo a todos.

domingo, 29 de dezembro de 2013

Fim de ano, feliz ano novo

Viver a vida já é uma batalha diária.
Mas viver o fim de ano com as festas que trazem ausências doídas é tarefa hercúlea.
Parece uma barreira do som e da luz que tenho que passar.
Sobrevivi.
Estou me reorganizando para viver os momentos, mais do que viver os sonhos, que são só sonhos, materialidade da mente.
Melhor será viver cada dia, cada conquista e deixar para trás o que não se pode mudar.
Tarefa difícil pra mim que sou guerreira por natureza, inconformada, obstinada pelos meus sonhos e contra as injustiças da vida.
Mas a vida dos sentimentos é fruto da vontade dos homens e esta ninguém de fora pode mudar.
Por isso afastar da mente os sonhos impossíveis é uma forma de viver a justa medida da vida com as suas mãos e suas próprias pernas e esquecer a terceira perna. Como diz Clarice Lispector, não se pode andar com três pernas. Viver no justo corpo que nos cabe como o balé de Pina Bausch.
Feliz ano novo a todos os meus amigos, filhos queridos, irmãos e sobrinhos.


quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Conselho Participativo e uma cidade mais humana

Escrevo para agradecer e comunicar que fui eleita como Conselheira para a Subprefeitura da Vila Mariana, junto com outros lutadores por uma cidade mais humanizada, mais justa e mais solidária. Esperamos contribuir com propostas para melhorar o nosso cotidiano e tornar nossa cidade nosso "lugar de aconchego".

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Vida urbana e compromisso cidadão



Não poderia deixar de falar aqui, nesse espaço livre para a expressão de ideias, que pela primeira vez me candidato a uma função pública como cidadã.

Sou candidata ao Conselho Municipal Participativo da Vila Mariana, junto com outros moradores e atuantes militantes pela qualidade de vida e defesa da cultura em nossa cidade. 

A eleição será no dia 8 DE DEZEMBRO PRÓXIMO, um domingo.

O Conselho Participativo Municipal tem caráter eminentemente público e é organismo autônomo da sociedade civil, reconhecido pelo Poder Público Municipal como instância de representação da população de cada região da Cidade para exercer o direito dos cidadãos ao controle social, por meio da fiscalização de ações e gastos públicos, bem como da apresentação de demandas, necessidades e prioridades na área de sua abrangência.

Qualquer eleitor pode votar em cinco candidatos de qualquer região da cidade, os locais de votação, podem ser encontrados no link abaixo com o número do seu título:


pois o TRE-SP organizou por região e juntou várias zonas eleitorais em algumas escolas. 

Serão eleitos os mais votados de cada distrito. Mesmo quem não vota em São Paulo, trabalha aqui e deseja que essa cidade melhore pode apoiar pedindo votos para seus amigos daqui que poderiam votar. Por isso peço o apoio de vocês para votarem e divulgar entre amigos, a minha candidatura.

No site das subprefeituras estão as listas dos colégios eleitorais agrupados em algumas escolas em cada subprefeitura mas o número 156 também vai informar se o eleitor ligar com o numero da sua seção e zona eleitoral.

Recomendo também os candidatos abaixo:

Um grande abraço. Desde já agradeço o apoio.

Rosana Miranda — número 52058 - Arquiteta Professora Dra. da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (USP)

Denise Delfim — número 52012 - Jornalista e editora do jornal Pedaço da Vila

Ricardo O Outro lado do Muro – número 52053 - Engenheiro Agrônomo, Advogado, e Mestre em Saúde Pública pela USP, iniciou o Movimento O Outro Lado do Muro.

Flávio Carrança — número 52022 - Jornalista e integrante da TV Assim - Associação de Imagens. 

Eliana Tiezzi Nascimento — número 52018 - Psicóloga, psicanalista e coordenadora geral do Projeto Papel de Gente.

Paulo Luciano Sguario Silva — número 52049 - Produtor Gráfico.

Cícera Vieira — número 52009 - Presidente da Associação Mãos Unidas

José Carlos Corrêa Cavalcanti — número 52029 - Ex-professor de Matemática atua em prol de áreas verdes e causas comunitárias na Vila Clementino

 
Amigos da Vila Mariana

Um grupo de moradores do bairro resolveu colocar à prova sua cidadania, aceitando o desafio de candidatar-se ao cargo de membro do Conselho Participativo Municipal, cuja eleição ocorrerá, pela primeira vez em nossa cidade, em 8 de dezembro próximo, pelo voto distrital. Esse Conselho, formado exclusivamente por membros da sociedade civil para a representação de cada região da cidade de São Paulo, permitirá que os cidadãos, eleitos pelo voto distrital, exerçam o controle social das Subprefeituras, assegurando a participação da sociedade no planejamento e fiscalização de ações e gastos públicos, além de contribuir com sugestões de políticas públicas para seus bairros.
A abertura de um tal espaço democrático é motivo de alegria para a comunidade paulistana! Principalmente por se tratar de eleição onde os candidatos a Conselheiros das Subprefeituras são moradores dos 96 distritos que compõem as respectivas áreas administrativas; portanto você sabe quem são, onde moram, que padarias e restaurantes elas frequentam; não são estranhos ao bairro, aventureiros que ali vêm na época das eleições para enganar sua boa fé.
Porém, é preciso discernir entre os cidadãos que realmente defendem uma pauta inteiramente voltada ao interesse público daqueles que, representando o interesse do grande capital, desejam estar junto ao Poder para pressionar em favor de suas demandas, guiadas exclusivamente pela ganância e desejo de lucro exacerbados.
Tenhamos em mente que Vila Mariana hoje é um dos bairros mais visados pela especulação imobiliária, o que acrescenta mensalmente milhares de veículos nas ruas, sobrecarrega a infraestrutura disponível, polui o ar e congestiona cada vez mais o trânsito de nossas vias; acaba com as moradias menores; destrói o pequeno e tradicional comércio das vizinhanças; aniquila a sensação de pertencimento do morador à sua comunidade.
Os cidadãos autênticos, porém, desejam a preservação do meio ambiente, da memória de sua paisagem, com limitação da euforia da construção de prédios imensos, com a criação de mais praças, assim como mais e melhores instituições de saúde e educação pública de qualidade — enfim, políticas públicas voltadas à melhoria da qualidade de vida em todos os aspectos, priorizando o cuidado com as crianças e jovens, com os idosos e com patrimônio cultural material e imaterial do bairro.
Cidadãos da Vila Mariana: mostremos que as manifestações de junho, com o inédito grito de alerta e inconformismo de nossa juventude, inaugurou um novo estágio da consciência cidadã dos moradores de nosso bairro!
Dia 8 de dezembro, vote apenas em pessoas conhecidas e realmente merecedoras de sua confiança!


O texto acima foi escrito em consenso pelo grupo de candidatos acima.













sábado, 30 de novembro de 2013

Memorial da America Latina - lágrimas de fogo

Gosto do Memorial da América Latina.

Quando esse conjunto projetado por Niemeyer estava em construção me lembro de uma discussão com alguns colegas arquitetos sobre a hipótese da obra dialogar ou não com a cidade. Uma polêmica que alguns generalizavam como crítica às intervenções do "Arquiteto", como o chama numa belíssima canção, o cantor e compositor Djavan.

Dizia-se que suas formas eram bonitas, mas, se colocavam fora dos contextos urbanos.

Impossível penso eu, enxergar assim sua obra.

Há que se olhar e olhar repetidas vezes e encontrar sua poesia, sua visão, sua beleza e suas formas inventivas de quem olha muitas vezes o "lugar" para desenhar.

Mas, fiquei em dúvida mesmo assim diante daquela polêmica. Sempre me preocupou o tema da imagem da cidade, sua identidade em cada lugar. Mas, mesmo assim, gostava daquele projeto, suas formas e o branco animavam uma parte em decadência física da cidade.

Alguns anos depois fui a um seminário, dos inúmeros que acontecem lá, e tive a resposta à minha dúvida. Comecei a andar pelo bairro, que ainda não estava tão descaracterizado, e a olhar as fábricas em volta do complexo, e fiquei impressionada com a semelhança da escala dos edifícios.

A Barra Funda possuía fábricas verticalizadas com cinco ou seis pavimentos. Diferente da paisagem da Mooca, minha velha conhecida que tinha grandes galpões térreos.

Percebi que os edifícios do Memorial traziam uma proporção que dialogava com a altura das fábricas do bairro soltas, individuais nos quarteirões, nas ruas em meio ao casario. Fiquei alegre por encontrar essa relação que talvez não fosse intencional, mas, mais uma vontade minha.

No entanto, gosto de pensar que há ensinamentos na arquitetura que não estão visíveis a olho nu.

E aquela mão com o formato da América Latina no meio da praça? Vermelha como pulsa o sangue do povo latino americano! Que ousadia! Beira à arte popular. Ali também tem a mão de Darcy Ribeiro.

Estive no Memorial em atos políticos da atividade do Parlatino. Tive a oportunidade de ver Fidel Castro cumprimentando delegações que o homenagearam por lá. E fui a um aniversário do próprio arquiteto, onde o conheci pessoalmente e fiquei impressionada com a delicadeza da sua mão ao cumprimentá-lo.

Recentemente fui ao memorial ver os painéis de Portinari da ONU.
Que orgulho daquela obra!
E pensar que o autor nem pode ir à sua inauguração por razões políticas.

Dessa vez me pus a contemplar a cidade a partir da passarela que liga os dois complexos sobre a avenida e cuja existência nos faz quase esquecer que são dois terrenos.
Descobri como se deve tratar uma passarela elevada, solução tão rejeitada pelos pedestres de um modo geral nessa cidade tão agitada, uma solução onde suas cabeças estão protegidas num espaço controlado.

Simples assim, óbvio diriam outros, mas não temos outro exemplo assim tão bem resolvido na cidade, em espaço público a céu aberto.

Gosto do Memorial e senti como se São Paulo ficasse ferida com este incêndio.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Movimento

Descobri o prazer de me movimentar na água e no sol. Duas grandes paixões.
A retomada constante de cuidar da saúde é um desafio para que eu possa usufruir do que a vida me oferece.
Vou devagar agora, desacelerando, mas, criando raízes, buscando as profundezas do conhecer.Aprofundando como se cava um buraco no solo e se sente a humidade, o vai e vem das formigas e o mundo da fantasia que meu pai contava em seu livro-memória, "Porangaba e meus Parceiros".
Recusar o disperso não significa abandonar o solidário.
Significa dar consistência para o conhecimento da vida, dos homens , das cidades, das estórias e da história. Dar um passo a diante.
Agora distante dele vejo que meu pai não fazia muitas coisas, era um caipira capaz de passar horas observando a fumaça de seu cigarro, as vezes cigarro de palha, que ele tinha orgulho de exibir como hábito não perdido na cidade grande, e curtindo os pássaros no seu quintal. Me lembra o quadro de Almeida Júnior, "O Caipira picando fumo" da Pinacoteca.
Mas era um homem profundo e realizou seu sonho de publicar um livro, deixar seu legado. Massageava o pezinho  de cada neto que nascia como um remédio para acalmar as crianças.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Amizade

Hoje a tristeza quase quis tomar conta da minha vida. Empurrei ela pra lá. Não deixei, busquei uma saída das melhores que poderia encontrar, estar com amigos. Amigos que não querem nada em troca, só estar junto, e conversar. As nuvens e o frio passaram ao largo desse dia caloroso.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

A noite cheia no céu


O Céu de São Paulo

O céu está especialmente limpo agora à noite.
Queria saber o nome das estrelas.
Meu pai saberia o de algumas.
Fui buscar um mapa e achei um on-line, mas, ele se apresenta invertido com relação à posição da minha janela. E não sei como seria a posição certa.
Sei quais são as Três Marias e sua posição vai a caminho de se esconder ao sudoeste de minha janela noite adentro.
Mas, o vento continua suave e animador.
Como queria saber o nome das estrelas.
Lembrei-me que meu primeiro sonho de criança era ser astronauta.
Alguém me disse, acho que meu pai, com muita delicadeza, que seria necessário ter a visão perfeita e que talvez eu não passasse nesse teste por usar óculos desde os quatro anos de idade.
Foi a primeira mudança de rumo à qual tive que me adaptar, acho que aí me tornei um pouco flexível na vida.
Mas, eu ainda queria saber o nome das estrelas que vejo.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Um dia de fruição da vida

A dor se transformou em felicidade hoje pelo simples fato de compreende-la e diminuir o sentimento de culpa por sentir a dor da vida.
A música me fez companhia para encontrar pessoas em luta em suas  diversas formas. Luta pelo conhecimento, pela liberdade, pela democracia, pela sinceridade no diálogo.
Tomei algumas decisões que soltaram amarras como se cordas tivessem seus nós desatados num fundo do mar e permitissem emergir da sensação de sufocamento. Percebi a possibilidade e o alcance da liberdade. Não a liberdade egoísta mas a liberdade solidária.
Não tive medo de beber dessa fonte, o céu cinza ficou azul molhado pela chuva que ainda cai.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Filmes da semana

O mordomo da Casa Branca e Ana Arabia

O primeiro a estória de um mordomo e do racismo nos EUA. Fiquei emocionada no final quando ele reconhece já em idade avançada a confusão para enxergar o que se passa no mundo, na vida, na família. O elenco me comoveu, Forest Whitaker, Oprah Winfrey, David Oyelowo, John Cusack, Jane Fonda, Cuba Gooding Jr., James Marsden. Foi sem querer que entrei naquela sessão, fui à deriva, dei sorte e não consegui perder um segundo do filme.

O segundo mostra uma família onde árabes e judeus estão entrelaçados e a estória acontece em movimento pelo caminhar da jornalista por um espaço quase que rural dentro da cidade moderna conversando com as mulheres e os homens da casa-pátio-casa do diretor israelense Amos Gitai. O cinema-arquitetura se misturam também aqui. Dormi no início do filme, isso tem acontecido ultimamente quando a luz se apaga, tal é o meu cansaço.
Acordei com o movimento constante da câmera num ritmo emotivo e quase musical. Uma frase de uma das mulheres ficou na minha cabeça, achei-a tão triste que não ouso escrevê-la.




quarta-feira, 30 de outubro de 2013

A vida que muda

Ando por um mundo de transição. O contato concreto, direto com as pessoas anda difícil e escasso.
Queria que a vida se alongasse na conversa com meus filhos e com mais e mais jovens.
Queria um monte de coisas.
Ontem me encantei com fotos de uma cidade se formando, sua história e paisagem.
O Rio de Janeiro.
Minha segunda cidade que me fustiga e apaixona.
O mundo me interessa, sigo o canto da sereia, vejo a Lua e as Três Marias, coisa que aprendi a ver olhando o céu com meu pai.
Cheiro a noite antes de dormir, esse ritual me traz a vida que vem de fora como um caixeiro viajante. Os rituais herdei da minha mãe na hora de dormir que observava tudo antes de fechar a casa.
Tenho orgulho deles, me deixaram coisas concretas da vida, como um saber, para pisar o chão desconhecido.
Busco isso nessa vida em transição.

sábado, 26 de outubro de 2013

Pensando a vida, a escola, a cidade e as lutas

Ando pensando o que poderemos fazer para radicalizar na situação da escola no Brasil.
Aqui falo da escola básica da criança bebê até o jovem adulto adolescente no fim do colegial, ou ensino médio como se chama hoje. Na Universidade ando fazendo aquilo que acredito, olho no olho com o aluno, de 1000 alunos que tive contato nesses quase cinco anos de trabalho, muito poucos não compreenderam esse processo, talvez não tivessem o traquejo social que a convivência em grupo exige. A escola exige olho no olho e conteúdo.
Muito se falou do espaço, da sala de aula lotada, dos professores e todos parecem ter uma fórmula mágica. Ontem vi uma chamada na TV de um programa dizendo que crianças aprendem melhor ao ar livre.
Então as escolas que subiram suas janelas para que as crianças não olhassem o exterior talvez estivessem totalmente erradas.
Acredito no professor, na sua capacidade de sedução sem autoritarismos.
Acredito no professor que passa aos alunos o respeito a eles nas pequenas atitudes como se eles pudessem ajudar a decidir como conduzir o aprendizado.
Não tenho formação em pedagogia, mas tenho formação em serviço público, onde se aprende o tempo todo a trabalhar em equipe.
Não há saída se não for assim.
É um ciclo que começa nas mãos de um e termina nas mãos de outro.
Talvez aí esteja o segredo da escola e da cidade, integrar as ações.
Não através de discursos, mas, com compartilhamento de decisões com os professores, os alunos, os gestores e os pais.
Compartilhar hoje virou uma palavra meio vazia devido ao seu uso nas redes sociais como se houvesse uma ação humana de olho no olho.
Nesse caso só serve para levar a informação e não a transforma.
Penso no Celso Furtado que dizia que o maior entrave ao desenvolvimento era a concentração de renda. Acho que seu pensamento ainda é atual.
Pergunto, os pais, os alunos, as ONGs, os gestores, estariam dispostos a acompanhar os professores da rede pública na sua luta pela escola e por salários dignos?
Não acredito na arquitetura escolar sem o diálogo com o professor. A escola sobrevive sem arquitetura, mas não sobrevive sem o professor.
A sombra de uma árvore às vezes pode ser uma bela sala de aula.
Ando pensando.....

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Cinema sempre com o Robert de Niro - Malavita

A Família - sessão sexta à noite

Não sabia nada sobre o conteúdo do filme, uma amiga me recomendou e disse que era com o Robert de Niro, era a senha para eu me interessar. Adoro sua atuação, brinco que seria o único homem mais velho que eu, com o qual me casaria.  Um policial de ritmo instigante, os atores jovens são ótimos e me pareceu uma grande homenagem a outros filmes com o tema da máfia. Além de tudo divertido.

Las Acacias - sessão domingo à noite

Filme bonito, mas um pouco lento para o meu ritmo, uma estória humana bem realista, de transformação de um homem solitário diante da meiguice de uma mulher. Argentino.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

O Blog, o mundo e a arquitetura

Tantas coisas permearam meu dia.
Desde sonhos de um mundo melhor, de um Brasil mais igual até meus anos de juventude.
Estou acabando o dia pensando nos meus filhos, seu futuro, seus sonhos.
Ouvindo músicas dos anos 60 tento aprender outra língua através da música.
Livros me aguardam no meu quarto para leituras sobre as "perdas necessárias", sobre as andanças de Anton Tchekov em Sacalina na Sibéria, sobre "a elegância do ouriço".
Vou devagar, acabei  de ler um livro de Maria Dueñas, "A melhor estória está por vir". Muitas estórias entrelaçadas e um capítulo final que me emocionou talvez por minha estória de vida.
Acabei algumas tarefas e preciso  respirar.
Sigo enfrentando outras e algumas para voos mais altos.
Sonho o tempo todo, mesmo quando a tristeza se acomoda ao meu lado me provocando.
Ando pensando em minha mãe e nos seus sonhos como mulher, sua família na frente de seus próprios sonhos.
Esse blog atingiu mais de 5000 visitas, sinto que as pessoas buscam delicadezas na vida, eu também.
De qualquer forma aqui deposito meus interesses e os compartilho. Procuro dizer daquilo que me encanta e que alimenta o meu conhecimento do mundo. Nem sempre a arquitetura satisfaz este desejo, ao contrário o conhecimento do mundo alimenta a arquitetura e o urbanismo. Como diz Anton Tchékov " um bom repórter tem que estar perto da realidade" com "um bom par de calçados e um caderno de anotações".

domingo, 8 de setembro de 2013

Drummond disse sobre Reidy algo que deixa a morte com gosto de elegância


Affonso Eduardo Reidy foi o arquiteto que projetou o MAM no Rio de Janeiro na década de 50.
Vi há alguns dias atrás um documentário, "Reidy a construção da utopia", realizado sobre sua vida e obra por Ana Maria Magalhães no canal de TV a cabo chamado Curtas! que aqui divulgo pelo excelente conteúdo que apresenta. Aprendi muitos fatos sobre esta obra e sobre o Aterro do Flamengo com os diversos depoimentos, principalmente o de Carmem Portinho. Mas o mais bonito foi ouvir o que Carlos Drummond de Andrade escreveu sobre a morte prematura do arquiteto com apenas 54 anos.
      Disse Drummond:

A morte de Affonso Eduardo Reidy desperta-me antes de tudo uma sensação de coisa errada, fora de norma e ritmo. Como se ele, cedendo à modéstia, houvesse furado a fila dos mais velhos, que estavam na sua frente, para chegar primeiro. Reidy era a distinção, a finura em pessoa, não podia passar à frente de outros. Tinha um modo tão seu de trabalhar em discrição, como tantos outros trabalham em apoteose. Sua vida merecia ter sido longa e protegida dos males cruéis. E depois, apenas um cinquentão, ele tinha ainda muito que fazer por causa do muito que já fizera. Nós, usuários dessa criação, estamos sempre exigindo mais. Nada pedimos aos omissos e aos estéreis, mas de um sutil manipulador de forma e espaço, como Reidy, quanta coisa se podia esperar ainda!

       Esse filme me atingiu como uma flecha lembrando que o homem deve deixar um legado para sua pátria, para seus filhos, para o futuro. Persigo esse caminho ainda com obstinação, não sei quando vou parar, mas, quero seguir o exemplo dos mestres que fizeram arquitetura com gentileza, sem arrogâncias.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

O cheiro da noite

Que cheiro bom tem uma noite de chuva.
Abro a janela antes de dormir para tomar um pouco de vento.
Hoje senti um cheiro de mato gostoso das palmeiras tão altas que chegam até minha janela.
Não entendi ainda como suas raízes as seguram num espaço tão pequeno.
O vento é algo renovador.
Sinto falta do mato, mesmo tendo nascido nesta cidade tão construída, tão marcada pelas mãos dos homens.
Ainda não tive coragem de caminhar à noite, é uma vontade de sentir o silêncio e o frescor da madrugada.
Acho que um dia ainda vou me mudar para uma casa no meio do mato e perto da praia.
Li num livro de um filósofo francês que os franceses apesar de serem tão urbanos sonham com a vida do campo.
Acho que são as duas faces do homem. Construir com as mãos e voar com a natureza.
Aqui também se pode sentir o cheiro do mato, mas é preciso abrir a janela. A chuva traz o cheiro da terra.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

O céu de São Paulo

Hoje olhei o céu quando voltava da Universidade por volta das cinco e meia da tarde ao som de Luiz Gonzaga e a tarde me pareceu especial. As nuvens no céu vistas da avenida do Jóquei Clube estavam da cor do filme Vanilla Sky. Chegando mais perto do Ibirapuera vi outras cores nas nuvens, um azul que se misturava com a própria cor do céu. Tive vontade de pintar com aquarela o que via. Olhei minha cidade de outra forma e fiquei feliz, a música alegrava ainda mais a cena. É preciso olhar para o céu e ocupar as praças.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Filmes recentes - o cinema me embala

Ferrugem e Osso - bruto e sensível, delicado ao mesmo tempo - filmaço
Wrong - Ótimo - absurdo e divertido
Amor Pleno - não entendi nada
Hanna Arendt - Ótimo - a banalização do mal e a recusa à reflexão leva a barbaridades
O Concurso - divertido
Os Amantes Passageiros - absurdo  e divertido - Almodovar
Antes da Meia Noite - Ótimo
Depois de Maio - Simples e da minha geração
Tese Sobre Homicido - Ótimo mas não e o melhor com Ricardo Darin

Em Casa:
Homenagem a Gandolfini - sessão Familia Soprano por vários dias no fim das férias.
Antes do Amanhecer
Minha Vida de Cachorro
O Poderoso Chefão III sempre...
Melancolia - uma metáfora sobre a vida

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Trabalho, amigos, amores e crescimento

A vida tem me levado a intensificar minha inserção no trabalho. Pensava em diminuir o ritmo. Ainda não consegui. Mas aos 58 anos tenho muitos planos pela frente. Estou caminhando um pouco a deriva construindo o registro de coisas importantes. Não sei porque me interessa tanto a memória e a documentação do espaço, dos desenhos, dos pensamentos daqueles que respeito e dos meus próprios. Encontrei muitas coisas bonitas nos meus cadernos, escritos e desenhos. Acho que o fazer é mais importante do que o resultado. Estou aprendendo que o caminho é mais importante do que o final, pois este ninguém sabe como se concretizará. Estou encontrando pessoas que vão me ajudar na organização daquilo que desejo preservar. A vida vem colocando-as no meu caminho. Vi o Brasil se manifestar de modo confuso e me emocionei novamente com o coletivo. Acho que os que lutam por um Brasil melhor deveriam abandonar arrogâncias e agregar os que tem os mesmos objetivos mas práticas diferentes.
Todos acabam contribuindo para o motor da história. Perdi coisas e pessoas importantes pra mim mas as perdas trouxeram crescimento e avanços na visão do mundo. Quero conquistar a saúde para a pele que habito, me encaixar no corpo da justa medida dos bailarinos da Pina Bausch. Uma nova vida se inicia com a intimidade perdida. O absurdo de um novo tempo "antes da meia noite".
Diálogos maiores com o conhecimento.

domingo, 2 de junho de 2013

Filme "Moscou não acredita em lágrimas"

Meu filho trouxe um filme para vermos juntos, desistiu e o sono o venceu. Impossível não se sensibilizar com este filme sendo mulher mãe e sonhadora de uma sociedade igualitária e justa. Nem no socialismo soviético se resolveu a submissão da mulher aos sentimentos de solidão e abandono na criação dos filhos sozinhas.
Uma questão maior que se submete à questão econômica. O filme é otimista quando se fala a frase título e propõe a ação para resgatar o amor perdido. Mas mesmo naquele contexto é o homem que soluciona a conquista do amor e da família. A mulher supera-se pelo trabalho e estudo mas não como dona do seu afeto, o vazio da solidão permanece.
Um bom filme para se refletir  mas que mesmo assim fortalece o espirito.


sexta-feira, 24 de maio de 2013

Renovação Urbana em São Paulo -Tese - Mooca: lugar de fazer casa


Finalmente estou divulgando pela internet um trabalho de 8 anos de pesquisa sobre a formação do bairro da Mooca e as possibilidades de renovação urbana.

É uma alegria ver este trabalho no banco de teses da USP. O link é este aí:

http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/16/16131/tde-17052013-110205/pt-br.php

domingo, 21 de abril de 2013

Tempo de estudo, tempo de sonhos, tempo de brincadeiras, turma da FAU 1975

Um presente do Mario Fujita para a nossa turma. Hoje frequento estes estúdios com outro olhar mas, o carinho é o mesmo, e a intimidade com o lugar permanece.
 
 
 











segunda-feira, 8 de abril de 2013

Ainda o desenho à mão e a vida

Descobri que desenhar à noite na hora de dormir funciona como um livro quando fico acordada pensando na vida. O problema é que o desenho absorve, consome e quando vejo já é tarde demais. Um prazer descoberto recentemente. Tenho feito autos-retratos a partir de fotos ou usando o celular como espelho. Divertido, e você pode dar um zoom num detalhe ou outro para aperfeiçoar o desenho. Desenho a caneta tipo nanquim descartável e comecei a introduzir cor com pastel de boa qualidade. Mas ando com uma necessidade de desenhar num espaço maior com carvão, me vejo fazendo isso, assim como, me vejo correndo como na cena do filme "O lado bom da vida" (o Robert De Niro está impagável) nas ruas à noite. Tomar o ar fresco da madrugada. Faço isso da minha janela da sala. O vento que bate me encanta e de noite e de dia respiro este ar fresco antes de dormir ou de começar o dia.
Gosto desse lugar.

Quando terminar a série de desenhos vou postar.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Mooca lugar de fazer casa e preservar a história da cidade - sobre as PPPs da habitação no centro


            A iniciativa de parceria entre o Governo do Estado e a Prefeitura para um programa de habitação na área central há muito tempo é esperada.
            Em 2002 defendemos a tese de doutorado na FAUUSP intitulada “Mooca: lugar de fazer casa” onde propúnhamos uma estratégia de renovação e revitalização dos bairros centrais, usando como exemplo o bairro da Mooca, onde se respeitasse os valores do patrimônio histórico do período industrial e de formação da classe operária em São Paulo que marcou o perfil  da metrópole no final do século XIX e início do século XX.
            O mote principal do trabalho era enfatizar que a habitação seria um elemento estruturador dessa revitalização e a preservação de alguns testemunhos construídos com novos usos deveriam ser vistos dentro de uma visão integrada e a necessidade de se buscar a identidade dos bairros enfatizado no termo “lugar” que adquire significado pela ação da sociedade local.
            Até o momento os cortiços e a população pobre moradora da área central preservou o patrimônio histórico de alguma forma.
            Problemas de infraestrutura e a degradação do Rio Tamanduateí também afastaram o interesse do mercado imobiliário pela região.
            Assim a história da cidade e de formação de seus bairros deveria ser inserida nos projetos de renovação urbanística.
            Nesse sentido consideramos que este programa que está sendo elaborado tendo como pilar o uso de PPPs deverá levar em conta a questão história.
            Para isso vários órgão de governo devem trabalhar de maneira integrada no formato de um “Comitê de Renovação Urbana” em que os diversos aspectos sejam valorizados.
            Na tese de doutorado propusemos a criação de um programa chamado a “Oficina do Jovem Historiador” cujo objetivo seria um programa de formação e treinamento de jovens sobre a história da cidade e restauro de bens tombados, com intuito de recuperar sua autoestima e sentimento de pertencimento à cidade e oferecer motivação para afastá-los da violência urbana.
            Essa região da cidade ao longo da antiga ferrovia Santos Jundiaí carrega o símbolo da criação da cidade industrial que possibilitou o desenvolvimento da metrópole paulistana.
            São vários distritos com aspectos da história da cidade que devem ser inseridos nos projetos pois do contrário São Paulo perderá um pedaço de sua história.
            Assim os projetos de habitação necessitam se sustentar num tripé que inclua a história e a infraestrutura local a  partir de uma visão integrada desde a sua concepção.
            Abaixo incluímos o link da tese Mooca: lugar de fazer casa.

http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/16/16131/tde-17052013-110205/pt-br.php

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Estado forte e democracia para desenvolver São Paulo

Sobre o Arco do Futuro para São Paulo

Os projetos públicos de um modo geral necessitam de um estado forte, com equipes multidisciplinares com carreiras de estado que formulem junto com a sociedade e outros níveis de governo os projetos dessa envergadura, principalmente porque esses projetos são de longo prazo e a garantia de continuidade está vinculada à estrutura pública.

O diálogo com o setor privado deve existir após esta formulação.
Uma reflexão para os projetos futuros para São Paulo.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

A casa e a vida

Acho que já fiz milhares de desenhos sobre o espaço da casa, mas ainda estou cercada de confusão.
Procuro o meu lugar.
Gosto de um espaço legível, que se entenda numa única mirada.

Mas, se a vida anda confusa o espaço não se organiza.
Não se reescreve na lousa o que se apagou.
Não se reescreve uma estória vivida.
O passado é passado, o presente está aqui.
O futuro nem existe.

Um carro quase me atropelou num momento de tranquilidade na Rua do Catete num dia ensolarado.

No dia anterior vi a mesma cena num filme e a personagem morreu com uma mensagem de amor enviada pelo celular minutos antes para seu companheiro, quase que dizendo que uma linda estória de amor pode acabar num segundo.

As lembranças de sofrimento devem ser jogadas no velho baú de coisas inaproveitáveis.

Carnaval uma barreira bem vinda, mas a volta a São Paulo também anima

Até o carnaval parece que ficamos represados. Adoro o carnaval, na avenida das escolas de samba, na rua dos blocos, no sorriso fácil, é um momento em que a gente se diverte e esquece das outras coisas.
Esqueci muitas das coisas que andavam me aborrecendo. Agora é voltar ao trabalho e aos planos desse ano. É bom voltar a São Paulo, aqui tem algo do qual me orgulho a cidade funciona, as coisas dão certo mesmo diante das dificuldades. Esta cidade tem gente de todo lugar por isso o motor da cidade não se explica pela origem de seus habitantes, mas a mistura de tanta gente formou um caldeirão de força que imprime uma característica peculiar de movimento pelo crescimento, pelo  estudo, pelo conhecimento.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Carnaval na rua é invasão da cidade pela cidade

Carnaval de rua lá vou eu.

O Carnaval não precisa de nada, só de gente nas ruas, um bom samba, som de qualidade, banheiro público e lixeiras decentes. O resto a gente faz. Precisa só as pessoas respeitarem a cidade e o espaço público, não quebrar o mobiliário e jogar o lixo no lixo.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Filmes em 2012-2013

Além das Montanhas
Bárbara
Argo
Django
Um alguém apaixonado
Intocáveis
Infância Clandestina
Eu, Verônica
Fausto

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Um filme pela paz

"O filho do outro", um filme sensível sobre Israel e a Palestina. Uma história inusitada que cria laços imprevisíveis que superam a irracionalidade da guerra sem deixar de ser crítico.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

O céu de São Paulo e o nosso canto

Hoje o céu de São Paulo estava especialmente bonito no fim da tarde. 

Uma mistura de cores depois da chuva e antes de outra. Deu vontade de ficar na rua. Havia tempos não olhava para o céu aqui e vi esta cidade bonita. 


Olhava em volta e vi a avenida limpa. Lembrei-me que estava na avenida Paulista e lá as cores e a limpeza seguem um padrão que a diferencia do restante da cidade. O bonito estava no céu lavado pela chuva sem poluição.


Quando cheguei em casa vi a lua crescente entre as árvores do páteo, fiquei na rua curtindo o vento e fui à padaria tomar uma média com pão com manteiga. Padarias de São Paulo um pedaço da nossa casa, da nossa rua, da nossa cidade. 


Esperei escurecer para entrar.

domingo, 13 de janeiro de 2013

Volta a São Paulo, há que se aumentar a festa

Fui ao Rio novamente. Minha segunda cidade.
Há problemas de escalas na comparação das duas cidades, de imagem e de ritmo.
Vi na internet que perto de 25 blocos se organizam para o carnaval em São Paulo.
No ano passado que eu me lembro eram mais de 300 em vários bairros do Rio.
A cidade maior fica menor no carnaval. Eu adoro carnaval de rua de chegar num bloco e ir saindo sem compromisso sem fantasia ou com ela se quiser. Liberdade é a palavra. Essa forma do carnaval do Rio se expressa nessa palavra.
São Paulo podia crescer no que interessa, na festa de rua.
Esse é o sentido da vida urbana, organizar e promover a festa.
Outro aspecto que diferencia o carnaval no Rio é a mistura. Gente de todo tipo vai e se diverte.
Aqui somos mais segregados e isso se reflete na festa, na alegria.
São Paulo tem que oferecer mais dignidade nas ruas, se misturar mais. E festejar mais.