domingo, 8 de julho de 2012

Questões de arquitetura de São Paulo, uma questão de método. Texto escrito em 05-06-2008,


Questões de arquitetura de São Paulo
05-06-2008

Ontem, estudando  o texto da Prof.a Beatriz Santos Oliveira da UFRJ me ocorreu que as cidades do interior de Alagoas, de Sergipe, de Pernambuco, como Olinda, possuem conjuntos arquitetônicos, provavelmente do período colonial, talvez de um período mais recente que são encantadoras.

A cidade de São José das Lajes que fica no interior de Alagoas no caminho entre Maceió e Caruaru, tem uma beleza que dá vontade de descer do ônibus e ficar contemplando como a cidade se aproximou do rio e o incorporou em sua paisagem construída.

Outra cidadezinha que nos remete para um outro tempo é a cidade de Laranjeiras em Sergipe, logo depois de atravessarmos o Rio São Francisco vindo de Penedo em Alagoas.

O que vi nestas cidades foram conjuntos de taipa com a fachada muito limpa, criada com os requadros das janelas e portas coloridos. Algumas com platibandas, outras com eira e outras sem beira, como nos explicou o guia do museu da Casa de Marechal Deodoro na cidade de mesmo nome, vizinha a Maceió e onde fica a Praia do Francês, belíssima, gostosa, só que agora invadida pelos bares. Enfim o que me instigou ontem sobre São Paulo foi a seguinte pergunta:

Por que as casas da periferia de São Paulo não são tão bonitas como estas casas do Nordeste? Eu mesma já cheguei a afirmar que as casas apresentavam um aspecto de pós guerra, inacabadas, de cor cinza por causa dos blocos, porque seus construtores não tinham "repertório" estético. Como pode ser isso, se os mais velhos dessas famílias viveram em sua infância em cidadezinhas tão belas?

Esta é a pergunta que me suscitou, e me sugeriu um projeto de pesquisa da FAU-USP junto com a Prefeitura de São Paulo de levantar a cidade de origem das famílias moradores de favelas ou de bairros auto-construídos e realizar um registro nas cidades de origem dessas comunidades, no Nordeste ou outra região e através de desenhos e fotos e discutir com elas as possibilidades de projeto da mescla da cultura nordestina com a cultura da tecnologia dos paulistas disponível e a partir da identificação de um programa de consenso encontrar uma linguagem particular de cada contexto para a reurbanização de favelas e construção de conjuntos habitacionais.

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