quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Ouro Preto em 11-07-2004

Ouro Preto impressiona pela harmonia com a natureza, com as montanhas e a topografia. No entanto, as ruas da cidade, nesta ocasião, estavam muito sujas. Quem se oferecia como guias, não eram jovens ou crianças e sim homens mais velhos, com rosto abatido, queimados de sol entre 25 e 30 anos, da mesma faixa etária dos ambulantes de São Paulo. O casario é lindo, de uma arquitetura simples mas com riqueza de detalhes nas janelas , nos telhados e das diferentes torres das igrejas. A Praça Tiradentes encontrava-se "estressada", um palco muito grande encobria a entrada do Museu da Inconfidência. Tudo estava muito sujo na Praça, inclusive o museu. Mas, o peso da história, alí, nos objetos do período da Inconfidência Mineira prendem nossa atenção e dá vontade de estudar cada um deles. Alguns deles já conhecia, como a lamparina de azeite igual a uma que meu pai possuía, e por isso me lembrei dele. Emociona ler a sentença contra Tiradentes, e também revolta. O peso da Igreja está em tudo. A maior parte dos monumentos e museus são igrejas. Parece que a igreja está muito colada na riqueza vinda da exploração do ouro. Aprendemos no Museu das Minas, que a economia do Ouro Preto não se baseia no turismo, como aparentemente  se pode pensar ao encontrar turistas franceses, italianos e brasileiros de outros estados. O emprego aqui está na exploração do minério de ferro pela Vale do Rio Doce associada a uma empresa japonesa. Outros minérios explorados são o quartzo e a hematita. As pedras do museu são maravilhosas. É o segundo maior do mundo. O primeiro é holandês e fica em Amsterdam. As visões da cidade pelas janelas do museu são lindas, mas não se pode fazer fotos. No Museu do Oratório, que é muito bem conservado, a exposição é de alto nível, é possível conhecer a história dos oratórios e os diversos tipos existentes. Deu orgulho de ser brasileira, o cuidado com este museu. A praça da Igreja Nossa Senhora do Carmo e do museu formam um conjunto harmonioso num platô logo atrás da Praça Tiradentes. De lá é possível observar a cidade na direção sudoeste. Os detalhes mais bonitos são os muros de arrimo que arrematam os conjuntos construídos, as escadarias que complementam as calçadas e as muretas  ao redor de igrejas e praças. Do lado oeste, dois rios cortam a cidade a partir da via de acesso à cidade onde se localiza a rodoviária, cuja implantação é bem ajustada à topografia. A Casa da Ópera foi o primeiro teatro sulamericano, é de 1770, de extrema simplicidade, se implanta no terreno como se já estivesse alí junto com a topografia entre a rua de baixo e a rua de cima. A cor das edificações é branca, o colorido está nas molduras das janelas, na cor das telhas, das portas e das pedras das ruas, dos páteos, das escadarias. As varandas são balcões. No sábado à noite houve um show e a cidade ficou cheia na Praça Tiradentes. Nas ruas, a maioria parecia ser da população jovem de Ouro Preto e vizinhança. A cidade não parece ter uma classe média numerosa. Talvez os donos de hotéis e do comércio não morem aqui, pois só se vê os empregados em pousadas e restaurantes, de um modo geral, todos muito educados e acolhedores, flexíveis nas informações e no atendimento. Fui com meus filhos, foi uma bela viagem, mais um pedaço do Brasil.

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