segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Cidade e estudantes - um rito de passagem

Uma pressão sobre a juventude, a hora do vestibular.
Impossível não sofrer com eles. Há muita esperança em jogo, e a auto estima de se tornar adulto e um ser ativo socialmente parece que está ligada a esta passagem. A cidade parada na porta dos colégios e faculdades por um trânsito especial fora da rotina do domingo. Queria poder dizer aos jovens, não tenham pressa. A vida já é muito apressada. A cidade também. Mas, os que dependem de um passo adiante para ajudar a família têm pressa e com razão. É preciso devolver à juventude todo o tempo do mundo, tempo de aprender, de estudar, de conversar na madrugada, de namorar, de ver as estrelas, de ver o nascer do sol, de gargalhar sem a pressão do trabalho. Há um tempo certo para o trabalho. Talvez um dia não precisemos mais do vestibular. Nos meus dezessete anos não havia outro caminho.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Cinema

O amor não tem fim
A pele que habito
Pronto pra recomeçar
O garoto de bicicleta
Se não nós, quem? -

domingo, 20 de novembro de 2011

Ópera "A Valquíria" e o Teatro Municipal

Eu e meus filhos fomos ontem ao Teatro Municipal ver a ópera "A Valquíria". Uma programação de cinco horas e meia, as quais nem percebemos passar. Saímos com grande admiração pelo espetáculo. Mas, vou falar do teatro, pois sobre a ópera sou apenas apreciadora e aprendiz. Queria falar do orgulho de ver o teatro restaurado. Orgulho da equipe da Prefeitura de São Paulo, principalmente da Cássia e da Rafaela que eu vi nos últimos dois anos de convivência, acompanharem de perto a obra e decidir passo a passo as intervenções  de restauração do teatro de Ramos de Azevedo. O teatro é uma cena à parte neste espetáculo e em muitos momentos da iluminação, o seu espaço era o próprio cenário. Os desenhos no teto, nos balcões e na galeria onde nós estavamos criavam a atmosfera essencial para a obra de Richard Wagner. Foi a primeira vez que assisti à uma ópera, uma grande "estréia", e aprendi sobre mais um prazer que posso usufruir de São Paulo, além do cinema.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Ouro Preto em 11-07-2004

Ouro Preto impressiona pela harmonia com a natureza, com as montanhas e a topografia. No entanto, as ruas da cidade, nesta ocasião, estavam muito sujas. Quem se oferecia como guias, não eram jovens ou crianças e sim homens mais velhos, com rosto abatido, queimados de sol entre 25 e 30 anos, da mesma faixa etária dos ambulantes de São Paulo. O casario é lindo, de uma arquitetura simples mas com riqueza de detalhes nas janelas , nos telhados e das diferentes torres das igrejas. A Praça Tiradentes encontrava-se "estressada", um palco muito grande encobria a entrada do Museu da Inconfidência. Tudo estava muito sujo na Praça, inclusive o museu. Mas, o peso da história, alí, nos objetos do período da Inconfidência Mineira prendem nossa atenção e dá vontade de estudar cada um deles. Alguns deles já conhecia, como a lamparina de azeite igual a uma que meu pai possuía, e por isso me lembrei dele. Emociona ler a sentença contra Tiradentes, e também revolta. O peso da Igreja está em tudo. A maior parte dos monumentos e museus são igrejas. Parece que a igreja está muito colada na riqueza vinda da exploração do ouro. Aprendemos no Museu das Minas, que a economia do Ouro Preto não se baseia no turismo, como aparentemente  se pode pensar ao encontrar turistas franceses, italianos e brasileiros de outros estados. O emprego aqui está na exploração do minério de ferro pela Vale do Rio Doce associada a uma empresa japonesa. Outros minérios explorados são o quartzo e a hematita. As pedras do museu são maravilhosas. É o segundo maior do mundo. O primeiro é holandês e fica em Amsterdam. As visões da cidade pelas janelas do museu são lindas, mas não se pode fazer fotos. No Museu do Oratório, que é muito bem conservado, a exposição é de alto nível, é possível conhecer a história dos oratórios e os diversos tipos existentes. Deu orgulho de ser brasileira, o cuidado com este museu. A praça da Igreja Nossa Senhora do Carmo e do museu formam um conjunto harmonioso num platô logo atrás da Praça Tiradentes. De lá é possível observar a cidade na direção sudoeste. Os detalhes mais bonitos são os muros de arrimo que arrematam os conjuntos construídos, as escadarias que complementam as calçadas e as muretas  ao redor de igrejas e praças. Do lado oeste, dois rios cortam a cidade a partir da via de acesso à cidade onde se localiza a rodoviária, cuja implantação é bem ajustada à topografia. A Casa da Ópera foi o primeiro teatro sulamericano, é de 1770, de extrema simplicidade, se implanta no terreno como se já estivesse alí junto com a topografia entre a rua de baixo e a rua de cima. A cor das edificações é branca, o colorido está nas molduras das janelas, na cor das telhas, das portas e das pedras das ruas, dos páteos, das escadarias. As varandas são balcões. No sábado à noite houve um show e a cidade ficou cheia na Praça Tiradentes. Nas ruas, a maioria parecia ser da população jovem de Ouro Preto e vizinhança. A cidade não parece ter uma classe média numerosa. Talvez os donos de hotéis e do comércio não morem aqui, pois só se vê os empregados em pousadas e restaurantes, de um modo geral, todos muito educados e acolhedores, flexíveis nas informações e no atendimento. Fui com meus filhos, foi uma bela viagem, mais um pedaço do Brasil.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Liberdade de expressão e crítica

Universidade, um lugar de liberdade de expressão e crítica, sem as quais não haveria criatividade para a cultura e para a ciência.

Filme: O amor não tem fim

"O amor não tem fim" traz novamente a temática tão atual do envelhecer. Um filme muito divertido com Izabela Rosselini e William Hurt. Um arquiteto que não aceita envelhecer. Genial a reação dos idosos dizendo o que ainda querem fazer.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Cinema aos domingos - Em casa para o Natal

Fui ao cinema hoje com uma amiga querida dos tempos de fau. Vimos Em casa para o Natal. Um filme cheio de dramas e melancolias no dia de Natal. Muito bonito onde os conflitos etnicos e religiosos fazem um dos panos de fundo. A expressão contida dos sentimentos dos povos nórdicos europeus mostra um lado diferente da nossa cultura. Uma pequena cidade da Noruega é o local onde várias estórias se entrelaçam e vão se descortinando delicadamente.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Belo Horizonte II

Belo Horizonte tem um vento gostoso igual ao de Campinas. Hoje arrisquei um giro à noite. Fui ao cinema ver o filme do Almodovar. Ele é um louco mesmo. Há muita coisa que é difícil entender mas a fotografia, cenários e objetos são parte da essência da história e o vermelho é sangue e cenário. Há cenas que parecem quadros de pintura a óleo. E Toledo eu conheci há quinze anos atrás, onde se passa a principal locação do filme.
Antes de Almodovar, outro prazer, conhecer a Casa de Baile e o Cassino, ambos na Pampulha e projetados por Niemeyer, a Igreja de São Francisco já havia conhecido com o Professor Cláudio Gomes em 1996 quando viemos a Belo Horizonte para a Conferência preparatória do HABITAT II,  hoje ela estava fechada. Mas o Cassino me lembrou a Casa de Vidro da Lina Bo Bardi.
Antes da Pampulha houve um debate sobre conceito de patrimônio documental muito interessante na UFMG com a presença do Professor Carlos Lemos que nos presenteou com sua presença e intervenções na platéia. Este seminário está sendo muito útil para minha pesquisa sobre EDIF.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Belo Horizonte I

Belo Horizonte, um ritmo diferente. São Paulo nos solicita o tempo todo. Mesmo com os grandes problemas urbanos, o ritmo é diferente. A cidade mais horizontal nas cercanias da Pampulha. A lagoa é linda, um belo parque, o perímetro soma dezenove quilômetros segundo um motorista de taxi. Juscelino quem fez segundo ele, um orgulho na voz. Sabia quem era Niemeyer e quais eram suas obras. A arquitetura é de domínio popular na Pampulha. Interessante isso, orgulho das obras do arquiteto e dos azulejos de Portinari. Hoje pude observar melhor o novo centro administrativo de Niemeyer. Os edifícios de vidro escuro formam um belo par, acompanham a curva do lago, não sei se artificial. Os outros dois edifícios parecem um pouco descolados do conjunto envidraçado, mas talvez eu deva olhar cuidadosamente. De qualquer maneira, uma observação superficial a partir da visão do ônibus do aeroporto. Mas, é assim que a cidade é, para ser observada por quem passa, antes de ser vivida. Mas, desta vez gostei mais do que a primeira visão do ano passado. Não me importo de mudar o olhar sobre a arquitetura. O olho ve coisas novas a cada tempo.